Brasil

Embaixada dos EUA muda de endereço em Londres e vizinhos respiram aliviados

Redação DM

Publicado em 30 de junho de 2015 às 04:41 | Atualizado há 11 anos

LONDRES – Uma vizinha, a condessa Anca Vidaeff, encenou uma greve de fome em protesto. Outra, a presidente do grupo de moradores, disse que as pessoas ficaram “muito nervosas” com as ameaças de bomba e sugeriram que trocassem de endereço. O pedido está prestes a ser atendido.

A embaixada dos Estados Unidos na praça Grosvenor, num prédio modernista de concreto no coração de Mayfair, bairro mais refinado de Londres, é alvo potencial de ataque terrorista há anos, criando ansiedade em funcionários e vizinhos.

— Não importa se morassem numa casa do século XVIII ou numa esquina do século XX — disse Lois Peltz, diretora do grupo de vizinhos que reside há 50 anos numa das belas casas georgianas que circulam a praça. — As pessoas sabiam que se uma bomba explodisse, aquilo não existiria mais.

Há dez anos, representantes da embaixada insistiam em ficar na praça até o fim da concessão – em 2953 – e, em 2007, Washington gastou US$ 15 milhões em itens de segurança. Porém, mesmo após a reforma e com o governo britânico bloqueando ruas e passagens, a embaixada, projetada em 1955, permanecia vulnerável a ataques terroristas.

Agora, uma nova embaixada ficará pronta em 2017 e os moradores de Mayfair estão aliviados. Contudo, a nova embaixada se tornou alvo de debate. Para os críticos, um grande problema é uma questão antiga no meio imobiliário: a localização, no bairro de Nine Elms, margem sul do Tâmisa, num antigo pátio ferroviário cercado por prédios residenciais de luxo, a maioria dos quais se encontra vazio.

— É triste que a embaixada americana esteja mudando de uma bela praça histórica em Mayfair para um bunker fortificado num antigo pátio ferroviário no lado mais distante do rio — disse por e-mail Peter Rees, ex-diretor de planejamento de Londres. — É como se mudar do Upper East Side de Nova York para Nova Jersey.

Ele descreveu a área ao redor da nova embaixada como uma “cidade fantasma de grande valor”.

Representantes do Departamento de Estado americano afirmam que a nova embaixada será mais segura. Além disso, grande o suficiente para acomodar os mil funcionários agora apertados num edifício projetado para 800 pessoas e equipado com todos os recursos modernos de comunicação e ecológicos. As autoridades londrinas esperam que a embaixada estimule o desenvolvimento da região.

A mudança para o novo endereço, por mais sombria que possa parecer agora, faz todo o sentido, dizem autoridades americanas. Reformar o prédio existente custaria US$ 730 milhões e, mesmo assim, não ofereceria segurança avançada, disse Lydia Muniz, diretora da Agência de Operações Imobiliárias no Exterior do Departamento de Estado.

Espera-se que a nova embaixada custe quase US$ 1 bilhão. Para muitos, no entanto, a mudança da praça Grosvenor é inevitavelmente dolorosa. Raymond G.H. Seitz, embaixador norte-americano no Reino Unido entre 1991 e 1994, declarou que a mudança equivalia a “jogar fora” séculos de lembranças e história.


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