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Ensinar limites

Redação DM

Publicado em 2 de janeiro de 2016 às 22:57 | Atualizado há 11 anos

Educar integralmente o ser humano é uma tarefa ampla, complexa e muito desafiadora. Requer profundos investimentos em uma sólida formação que contemple não apenas a esfera acadêmica e intelectual, mas dedique especial cuidado ao desenvolvimento do caráter e da personalidade, aspectos que guiarão as ações e as escolhas do indivíduo ao longo da vida.

Um dos maiores desafios da educação de nossos dias é estabelecer limites de forma dialógica para crianças e adolescentes.  Essa árdua tarefa enfrentada por pais e educadores deve ser concebida para além da mera enunciação de regras impostas irrefletidamente, necessitando ser concebida como uma construção baseada no diálogo que expressa o desejo de proteger, de oferecer segurança e um amor incondicional. Ela demanda para o adulto um grande esforço, uma postura de firmeza e de segurança em limites bem colocados, pois a todo o momento eles serão testados com manobras que vão do franco desafio à sedução.

Ao contrário do que comumente se pensa a criança não nasce dotada de discernimentos morais e limites. O início de sua vida é marcado pela impulsividade e agressividade, cabendo aos adultos, pouco a pouco, estimular o desenvolvimento da capacidade de controlar impulsos, resistir às tentações e internalizar limites. Para as crianças essas regras são percebidas como demonstrações de afeto e propiciam segurança ao seu desenvolvimento.  Ao estabelecer limites claros e coerentes, os pais estão dizendo à criança que a amam muito para permitir que ela se comporte de maneira incongruente.

O exercício de ensinar limites, longe de ser um aprendizado fácil e gratuito, depende de grande esforço, paciência, sabedoria e de uma descomunal persistência.  Segundo Içami Tiba, a chave mestra de todo esse processo é a construção da autoestima, impulsionada por meio do carinho oferecido á criança por parte de pais, educadores e pessoas mais próximas que lhe dão a sensação de que ser amada e cuidada.  É necessário, dessa forma, criar uma atmosfera de confiança, de aceitação, de compreensão e respeito, que possibilitem ao adolescente desenvolver a autodisciplina e o comportamento responsável no enfretamento das obrigações e dos desafios da vida. Recorrendo a seu equilíbrio interno, ele aprende a lidar com as frustrações decorrentes da imposição de limites e do cerceamento dos desejos e impulsos.

Entretanto, há que se ressaltar que limite e diálogo são ações indissociáveis não conciliáveis com castigos severos e opressivos. Os limites são “linhas demarcatórias” que situam o que é ou não permite conforme a situação social e os sujeitos. Ensinar limites é amar corajosamente a criança e o adolescente, comprometendo-se em oferecer-lhes subsídios para crescer com a visão de que o mundo tem seus próprios limites, e por isso, cada pessoa precisa saber se situar e viver segundo determinadas exigências para se dar bem na vida.

Saber estabelecer limites é importantíssimo para a boa formação do caráter de uma criança e é um dos papéis mais importantes de pais e educadores. Seguramente, a convergência de esforços em prol da educação de nossas crianças e adolescentes contribuirá para a formação de cidadãos verdadeiramente humanizados. Acreditamos que educar é transformar vidas.

 

(Márcia Carvalho, pedagoga, psicopedagoga, mestra em Sociedade, Políticas Públicas  e Meio Ambiente, chefe de Gabinete da AGETUL- Agencia Municipal de Eventos, Turismo e Lazer e diretora Secretária da Fundação Ulysses Guimarães)

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