Está na hora da decisão
Redação DM
Publicado em 7 de junho de 2016 às 02:48 | Atualizado há 10 anosEsta discussão sobre o impeachment da presidente Dilma começa a exalar um cheiro nauseante. Cheira a demagogia de um lado, esperteza de outro e o pior de todos os cheiros, o de oportunismo de quem quer levar vantagem no processo. Alguns políticos começam a questionar o governo interino, como se fosse possível fazer algo em tão pouco tempo e a fazer desta crítica uma ponte para se apresentar como indeciso. Como em estado de reflexão, com possível revisão de voto. Isto assusta porque, na política brasileira – não posso dizer quanto aos demais países – isto significa se oferecer para negociações. Significa dizer mais ou menos assim: “Ei, estou aqui no balcão, ninguém quer negociar comigo não?” Rever posição, qualquer uma, faz parte do jogo da vida. Num embate político ela não deve ser imutável. O processo é justamente para que cada lado apresente suas razões, suas provas. O convencimento é o que se busca e é perfeitamente natural que alguém se convença de algo contrário do que imaginava e, por isso, mude de lado. Mude o voto. Mas convenhamos, até aqui nada de novo, absolutamente nada, aconteceu para levar alguém a rever seu posicionamento. Dizer que o governo Temer está titubeante, gerando insegurança, não é uma inverdade, mas também não é algo assustador. No principal, na proposta econômica, tem se mantido firme e coerente. A economia desta em mãos de quem sabe o que busca e como atingir esta meta. O resto é jogo político e para isto Temer precisa de quem é mestre no jogo. Do lado petista, é forçar na mão aproveitar dos diálogos do Sérgio Machado para esbravejar que está tudo provado, que o impeachment foi um golpe para acabar com a Lava Jato. Como se eles não tivessem nada a ver com a corrupção. É hora de acabar com protelações, de colocar o processo para andar no ritmo da lei. É hora de decidir, não de temporizar. O vácuo da indecisão beneficia os mal intencionados e paralisa a economia. Pior para o povo.
(Paulo Cesar de Oliveira, jornalista e diretor-geral das revistas Viver Brasil e Robb Report)