Estamos de joelhos para os criminosos
Redação DM
Publicado em 4 de janeiro de 2018 às 23:02 | Atualizado há 8 anosEsta é uma verdade cruel que não queremos reconhecer. No comando dos poderes do País, estão os investigados por supostos crimes contra a administração pública. Nas ruas, por onde andamos, somos abordados por criminosos que subtraem tudo que encontram em nosso poder. Não raras vezes, até a própria vida de pessoas inocentes. Estamos de joelhos para os criminosos, tudo que eles mandam, nós temos que cumprir, sob pena de perdermos a própria vida. O Estado, que tem a obrigação legal de nos proteger, se presta a nos orientar como agir ao ser abordados pelos criminosos. As orientações são sempre as mesmas, não reagir ao ser abordado, entregar tudo que o criminoso pedir e evitar andar por qualquer lugar. Nesse caso, nos impedindo, inclusive, de fazer uso do nosso direito de ir e vir. Estamos, literalmente, de joelhos para os criminosos, sem o apoio do poder público e entregues à própria sorte. Não podemos andar com nada de valor, que os criminosos tomam, até objetos de estimação, como alianças, correntes, boné e outros. A situação chegou a tal ponto, que o menor sinal de reação das vítimas, ou a falta de valores à serem roubados, os criminosos, covardemente, e com requinte crueldade, assassinam os cidadãos indefesos. Como podemos viver num país que se diz democrático, mas que permite as famílias viver sob o jugo dos criminosos? Se o Estado brasileiro não acordar em tempo e tomar as providências necessárias, com urgência, vamos entrar num processo de desordem social, nunca visto no Brasil.
A discussão maior que as autoridades estão fazendo, no momento, é sobre as eleições de 2018, quem serão os candidatos, quem vai se salvar da operação Lava Jato, quem será preso e quem não vai se livrar da cadeia. Pouco ou quase nada falam sobre a guerra silenciosa que os bandidos promovem no País. Os governantes têm que deixar o interesse político partidária de lado e, de forma conjunta, enfrentarem a triste realidade da insegurança da família brasileira. Se não colocarem ordem na casa, é possível que não haverá, nem mesmo eleições, em 2018. Todos sabemos que nada funciona sem segurança. A polícia do Rio Grande do Norte, entrou de greve, em 10 dias 80 pessoas foram assassinadas, sem contar os inúmeros estabelecimentos comerciais arrombados e saqueados. Não faz muito tempo, todos lembramos, situação idêntica foi registrada no Estado do Espírito Santo, e o Brasil foi manchete nacional por conta do caos que ficou a sociedade. Os governantes têm que investir pesado na segurança pública, na justiça e no combate aos criminosos, só assim podemos sonhar com dias melhores para vivermos.
Nós, brasileiros, de tanto ver prosperar a ousadia dos criminosos e a ineficácia dos órgãos que cuidam da segurança pública, já não acreditamos mais de nos livrar desse caos social, sem um regime de governo forte, que prima pela manutenção da ordem e da soberania no País. Não estamos falando em ditadura militar ou civil, estamos falando de um regime que exija do cidadão o cumprimento das leis e dos princípios éticos. É impossível vivermos numa sociedade, que se diz democrática, sem liberdade de sairmos às ruas, sem direito de ficarmos em casa e proibidos de possuir bens materiais, porque os criminosos não permitem. Isso não pode continuar, é uma vergonha, é uma afronta a cidadania. Por mais que sejamos pacatos, tudo na vida tem limite e a paciência também acaba. Quando chegarmos a esse estágio, ninguém será capaz de prever a reação do povo e nem as consequências das suas ações. No que pese grande parte das autoridades estarem respondendo por supostos crimes cometidos, em hipótese nenhuma elas devem abandonar as obrigações que assumiram com o país e com o povo. Estamos de joelhos para os criminosos, mas não vamos continuar assim. Queremos sim, reagir e restabelecer a ordem social, o mais breve possível. Esse é o nosso sentimento e compromisso com o povo brasileiro.
(Gercy Joaquim Camêlo, coronel da Reserva Remunerada da Polícia Militar de Goiás)