Estou vivo… Sobrevivi a 2015!
Redação DM
Publicado em 30 de dezembro de 2015 às 22:04 | Atualizado há 11 anosAno de mortes, massacres e desastres ambientais; de fracasso econômico, ruptura política e muito ódio nacional. Tempo de mortes, diásporas forçadas e crianças moribundas e flutuantes em praias turcas; ano da assunção da mentira política mais descarada e deslavada; do dogmatismo mais primitivo e ameaçador; da Lava Jato e do moralismo seletivo; do golpismo militante e da apatia governamental.
Ano de desgraças, de milhares de mortes infantis na Síria, no Afeganistão e Iraque; da intensificação dos assassinatos do povo palestino pelo terrorismo de Israel; ano da loucura ortodoxa do estado islâmico e de seus atentados infames contra a “libertária” França das luzes.
Não foi um ano, foi um suplício cronológico; uma maldição contra os telúricos e suas eternas boas intenções; tempo de facas que se afundaram em nossas gargantas, de balaços que nos abriram as costas, de morticínios já comuns e corriqueiros e que levaram quarenta mil garotos brasileiros negros. E nós? Nada fizemos, afinal, estávamos “exigindo” o impeachment.
Tempo de frio, morte e cinza; sumidouro de esperanças; catacumba da decência; sepulcro da delicadeza. Vá embora, tempo de morte e não volte! Tire seu lodo do meu corpo, suas sombras de minha mente, seus odores de minhas lutas. Suma para todo o sempre e se afunde pleno nos abismos mais fundos do esquecimento, da desmemória e do desprezo.
O que 2015 nos anunciou? O que está por vir? O que podemos esperar depois dessa depressão coletiva do corpo, da alma, da mente e de nossos melhores horizontes?
Não posso imaginar qualquer coisa de bom com este “deus” anunciador que vaticina nosso fim. Só sei que temos que ficar juntos, romper o medo, reconstituir a vivência, harmonizar passos, sincronizar movimentos, identificar o inimigo e atingir certeiro seu grande e único olho de fel e desgraças.
Este foi o ano em que nos perdemos como povo, país e alternativa política a nos conduzir e guiar e a de alguma forma, conduzir também toda a Sul-América rumo ao seu destino de integridade, unidade e harmonia e agora, como bem se sabe, completamente incerto.
A serpente, no entanto e, felizmente, morre… Mas deixa rebentos que irão romper entre urros, bafos e espinhos no alvorecer do novo tempo, da nova história a ser contada em 2016. Nosso mister inquestionável é destruir seus contínuos de igual ódio, cólera e indiferença.
É nosso dever social e político assumir atitudes firmes e amorosas em favor da reconstrução da alma do bom tempo e que nossos corações eternamente infantis, vivem a clamar, para que, de fato, invada plenamente nosso ser atualmente, tão fragmentado, pequeno e frio e que, enfim, volte a brilhar, emanar luzes e nos trazer o infinito e que tanto provocamos.
Está acabando, ainda bem… E, sinceramente… Já vai tarde!
(Ângelo Cavalcante, economista, cientista político, doutorando em Geografia Humana (USP) e professor da Universidade Estadual de Goiás (UEG), campus Itumbiara)