Estudante de Direito é achada morta em condomínio onde morava com o namorado em Fortaleza
Aline Drumond - Estágio DM
Publicado em 21 de setembro de 2026 às 11:38 | Atualizado há 26 minutos
Isabelle Caracristi, de 22 anos, foi encontrada morta no pátio do condomínio onde morava | Foto: Reprodução
A estudante de Direito Isabelle Caracristi, de 22 anos, foi encontrada morta no pátio do condomínio onde morava com o namorado e familiares dele, no bairro Aldeota, em Fortaleza. O óbito ocorreu por volta das 20h40 do dia 13 de setembro, segundo a Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social do Ceará (SSPDS). A causa e a dinâmica da morte ainda não foram esclarecidas.
O caso ganhou repercussão depois que a mãe da jovem, a professora universitária Isorlanda Caracristi, publicou um vídeo nas redes sociais cobrando explicações e justiça. Ela afirma que não foi avisada pelo namorado ou pelos familiares dele e só descobriu a morte da filha na manhã seguinte, quando foi ao condomínio após não conseguir contato com Isabelle.
A investigação está em andamento. A Polícia Civil já ouviu quatro pessoas e marcou outros quatro depoimentos. Imagens das câmeras de segurança também estão sendo analisadas.
A Perícia Forense do Ceará (Pefoce) identificou no corpo da estudante lesões compatíveis com impacto contra o solo. Exames laboratoriais tiveram resultado negativo para substâncias de interesse toxicológico. Segundo a SSPDS, outros procedimentos continuam sendo realizados e somente após a conclusão das análises será possível determinar como a morte aconteceu.
Mãe tentou contato antes de descobrir a morte
Nos dias anteriores à morte, Isabelle havia contado à mãe que estava sentindo dores no pescoço e decidiu passar parte do fim de semana com ela. No sábado (12), as duas participaram do aniversário de um familiar. Já no domingo, a estudante disse que iria a uma missa e a uma procissão na Paróquia Nossa Senhora de Fátima acompanhada do namorado e da mãe dele.
Durante o período em que estava com Isorlanda, a jovem recebeu diversas mensagens do namorado. A professora afirma que já considerava o comportamento dele controlador. Na noite de domingo, por volta das 19h, Isabelle enviou duas mensagens para a mãe. Primeiro, pediu que ela verificasse uma comida deixada na air fryer. Depois, escreveu: “Mãe, eu te amo”.
Isorlanda estranhou a falta da mensagem de boa noite que a filha costumava enviar diariamente. Como Isabelle estava com dores e havia tomado um relaxante muscular indicado pela mãe, inicialmente ela pensou que a jovem tivesse dormido.
Na manhã seguinte, porém, Isabelle continuava sem responder. Isorlanda tentou falar com a filha e também procurou o namorado dela. Segundo a professora, foi quando percebeu que estava bloqueada pelo homem no telefone e em duas contas do Instagram. Ela conta que ficou desesperada ao perceber que não conseguia mais contato por nenhum dos canais.
Sem notícias da filha, Isorlanda foi até o condomínio acompanhada do irmão. Segundo ela, os funcionários do prédio demonstraram hesitação ao falar sobre a situação. A síndica então informou que Isabelle havia morrido na noite anterior e que o corpo já havia sido levado para a sede da Perícia Forense.
A professora afirma que ficou em choque e chegou a pedir à síndica que dissesse que aquilo era apenas um sonho. Ao relatar o momento, descreveu a dor como uma sensação de que seu corpo estava sendo rasgado e disse que ainda se pergunta o que aconteceu com a filha.
Isorlanda também questiona o fato de, segundo seu relato, não ter recebido qualquer comunicação do namorado ou dos familiares dele sobre a morte. Ela afirma ainda que nenhum deles compareceu ao velório ou ao enterro da jovem.
Relacionamento começou durante estágio
Isabelle cursava o segundo semestre de Direito e havia iniciado um estágio em um escritório de advocacia de Fortaleza no fim de julho. Foi nesse período que, segundo a mãe, ela conheceu o namorado, de 33 anos.
A professora afirma que o homem era um dos sócios do escritório e que Isabelle passou a trabalhar diretamente no setor comandado por ele. A rapidez com que isso aconteceu chamou a atenção de Isorlanda, que estranhou o fato de o homem ter avaliado o desempenho da estudante em pouco tempo e a levado para trabalhar diretamente sob sua gestão.
Segundo a mãe, Isabelle estava empolgada com o estágio. Ela participava de audiências on-line e tinha contato com diferentes atividades da área jurídica. Isorlanda conta que chegou a alertar a filha sobre a possibilidade de sofrer algum tipo de assédio, principalmente pela proximidade com um homem mais velho.
O namoro começou, de acordo com o relato da professora, menos de dez dias depois do início do estágio. Mesmo desconfortável com a rapidez da relação, Isorlanda aceitou conhecer o rapaz durante um almoço. Depois do encontro, disse ter ficado mais tranquila, mas continuou com a impressão de que tudo estava acontecendo rápido demais.
A professora afirma que o relacionamento passou a provocar discussões entre ela e Isabelle, mas preferiu permanecer próxima da filha para preservar o vínculo entre as duas. Ela também passou a considerar o comportamento do namorado controlador.
Entre as situações que despertaram a preocupação da mãe está um pedido para que o homem usasse o cartão de crédito de Isabelle para fazer uma cirurgia. Segundo Isorlanda, ele também teria falado sobre abrir uma empresa utilizando o nome da estudante para que os dois trabalhassem juntos. A professora questionou por que um homem de 33 anos, que se apresentava como bem-sucedido, precisaria recorrer ao cartão da jovem para custear o procedimento.
Apesar das preocupações da família, Isorlanda afirma que a filha estava apaixonada e se mostrava animada com os planos profissionais que fazia ao lado do namorado, incluindo a possibilidade de abrir uma empresa e construir uma carreira na advocacia.
O escritório onde o homem trabalhava informou, por meio de nota, que ele exercia exclusivamente atividades de natureza administrativa e que deixou de prestar serviços à empresa. Sobre Isabelle, afirmou que a estudante trabalhou no local por aproximadamente 20 dias, entre o fim de julho e o início de agosto, quando pediu desligamento por razões pessoais.
A investigação continua, e a Polícia Civil ainda analisa depoimentos, imagens e os resultados dos exames periciais para esclarecer as circunstâncias da morte.
Confira o relato da mãe: