Estudo revela que 64,8% dos mortos em ações policiais em 2025 eram jovens negros
Aline Drumond - Estágio DM
Publicado em 1 de julho de 2026 às 14:22 | Atualizado há 1 hora
O estudo afirma que pessoas negras têm, em média, quatro vezes mais risco de morrer em intervenções policiais | Foto: Reprodução
Jovens negros de até 29 anos representaram quase dois terços das pessoas mortas em ações policiais registradas em 2025 nos nove estados monitorados pela Rede de Observatórios da Segurança. Os dados fazem parte da sétima edição do estudo “Pele Alvo: entre racismo e letalidade, o amanhã”, divulgada nesta quarta-feira (1º).
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Segundo o levantamento, das 4.330 mortes decorrentes de intervenções policiais contabilizadas ao longo do ano passado, 2.804 tiveram como vítimas jovens negros, o equivalente a 64,8% do total. Entre eles, também estavam 312 crianças e adolescentes. O estudo aponta ainda que a maioria dessas vítimas vivia em periferias ou favelas.
As informações foram reunidas a partir de dados fornecidos pelas secretarias de Segurança Pública do Amazonas, Bahia, Ceará, Maranhão, Pará, Pernambuco, Piauí, Rio de Janeiro e São Paulo. Na comparação com 2024, o número de mortes provocadas por ações policiais aumentou 6,4%.
A Rede de Observatórios da Segurança é uma iniciativa do Centro de Estudos de Segurança e Cidadania (CESeC) voltada ao acompanhamento de políticas públicas, violência e criminalidade em diferentes regiões do país.
O relatório também mostra que, considerando a média dos estados analisados, pessoas negras têm quatro vezes mais probabilidade de morrer em decorrência de intervenções policiais do que pessoas brancas. O cálculo levou em conta a taxa de mortes por 100 mil habitantes, analisando separadamente as populações negra e branca.
Relatório aponta falhas na divulgação de dados e avanço da violência
Além dos índices de letalidade, o estudo chama atenção para a qualidade das informações disponibilizadas pelos estados. Os pesquisadores afirmam que parte dos registros apresenta lacunas relacionadas à identificação racial das vítimas, o que compromete a dimensão do problema.
De acordo com o levantamento, Maranhão e Ceará concentram os maiores percentuais de casos sem identificação da raça das pessoas mortas. Nos dois estados, os registros classificados como “não informado” correspondem, respectivamente, a 54,9% e 57,5% das ocorrências.
Na avaliação da Rede de Observatórios da Segurança, a ausência desses dados vai além de uma falha administrativa. Para os pesquisadores, quanto mais eficiente é a coleta de informações, mais evidente se torna o impacto da violência policial sobre a população negra. O instituto considera que a falta desse preenchimento contribui para invisibilizar o recorte racial das mortes provocadas por agentes do Estado.
O documento também relaciona o aumento da letalidade policial ao fortalecimento e à expansão de facções criminosas, como o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC), especialmente nas regiões Norte e Nordeste do país.
Como reflexo desse contexto, quatro estados registraram, em 2025, o maior número de mortes por ações policiais desde o início da série histórica, em 2019. São Paulo liderou o ranking, com 834 registros, seguido pelo Pará, com 632. Na sequência aparecem o Ceará, com 200 casos, e o Maranhão, com 142.