Brasil

Eu sou parte do Brasil

Redação DM

Publicado em 9 de agosto de 2016 às 02:59 | Atualizado há 10 anos

Frente aos inúmeros episódios que poderíamos classificar como “surreais” (relatos de improbidades de nossos governantes, violência, indícios de manipulação da população em diferentes níveis), não raro ouvimos alguém dizer que gostaria de ter nascido em outro país, ou que na Suíça seria diferente.

Isso me fez lembrar de fatos marcantes da história da família que formei, que representa a história de outras tantas. O avô de meu esposo, partindo do Líbano, mudou o rumo de sua vida em busca de condições melhores.  As razões que motivaram a mudança foram: deixar um ambiente mental opressor, encontrar o “eldorado” em terras tupiniquins. Não obstante, encontrou um tesouro: o acolhimento ao recém-chegado.

Tratar bem a quem chega parece ser uma vocação do nosso povo; afinal, temos no sangue muitos fragmentos do mundo. Entretanto, convivemos com o jeitinho brasileiro, talvez uma forte herança do pensamento que deu início à formação de nosso país e que resultou no enriquecimento de outras nações que antecederam à vinda de muitas famílias que empreenderam mudanças em suas vidas; tivemos um início muito conturbado, quando o que motivava a vinda ao país era a exploração de suas riquezas naturais.

Assim, vivemos momentos de grande provação no campo da moral e da ética. E ao ter notícia das distorções morais dos governantes atuais, prejudicando seus governados, percebo o mesmo pensamento do Brasil Colônia, do pensamento de “nós e eles”. Mas quem são os políticos? Não são eles uma parte representativa de todos nós? Não fazemos, todos, parte da mesma cultura, cultivando e cultuando os mesmos pensamentos?

Isso tudo me mostra que o Brasil é um grande país, mas ainda adolescente. Por vezes fala grosso e com “atitudes de homem”. Por outras, a vontade se enfraquece e o futuro é turvado frente às adversidades. Penso: Qual é minha parcela de responsabilidade diante desse mar de dificuldades? Posso fazer diferente? Posso atuar de forma que os valores morais sejam uma realidade vivente e não somente uma matéria de escola ou de reportagem de TV?

Cada vez mais me sinto parte do Brasil. Esse mesmo, com seus altos e baixos, que se posiciona muito bem em alguns rankings e pessimamente em outros. Esse mesmo Brasil que conta com muitos seres honrados e comprometidos com o futuro. O Brasil que um dia acolheu com tanto amor os nossos antepassados.

Por uma dívida de gratidão, sinto que devo fazer minha parte. Melhorar, pouco a pouco, a cultura do país, que não é formada pela assinatura de leis e sanções, mas principalmente pelos pensamentos e sentimentos que permeiam a população. Como parte integrante desta, aos poucos estou vivenciando e promovendo uma nova forma de realizar essa transformação cultural, individualmente.

Esse é um dos legados que gostaria de deixar para minha família. Quem sabe o futuro ateste como coisas do passado esses momentos que vivemos, onde a moral era um item opcional e a ética era apenas uma leve recordação dos bancos de escola.

Eu sou parte do Brasil. Não somente o de hoje, mas principalmente o do futuro.

 

(Denise Bastos, pedagoga e docente da Fundação Logosófica)

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