Brasil

Exercitemos o voto da consciência

Redação DM

Publicado em 21 de julho de 2016 às 02:03 | Atualizado há 10 anos

Vivemos uma confusão institucional lastimável, em que política, para muitos, virou balcão de negócios; e acompanhamos, estupefatos, delações e esclarecimentos que nos trazem inúmeras falcatruas com o dinheiro público. Tudo isto nos deixa desanimados e desesperançosos, mas não podemos deixar de escolher os que desejam e trabalham pelas necessárias mudanças, merecendo a nossa confiança.

Jogar na vala comum todos os políticos não é correto. É preciso separarmos os bons dos maus – que existem! – e a bateia para este garimpo é o nosso voto. Lembremo-nos que para cada 0,42 g de ouro, são necessários, em média, uma tonelada de minérios e sedimentos. Não é uma escolha fácil!

Nem sempre acertamos, pois o que nos prometem nem sempre é o que fazem. E o que se faz quase sempre é o que não esperamos. Mas somos os juízes dessas boas ou más escolhas, valendo a máxima que ensina – errar é humano, persistir no erro burrice. Já para Hubert Horatio Humphrey (EUA): “Errar é humano; culpar outras pessoas é política.”

É previsível que os maus gestores nos apresentem mais desculpas de suas inações do que o orgulho de expor suas conquistas, após vencidas as adversidades. Se há crise, fácil distinguir os bons dos ruins, bastando observar os que se destacam.

As eleições têm demonstrado que os que se ocupam em evidenciar os erros de seus oponentes, ou culpá-los pelos seus infortúnios, perde tempo precioso em apresentar suas próprias qualidades ou trabalhar por elas. A campanha de desqualificação, além afrontar nossa capacidade de escolha, macula uma campanha limpa, propositiva e de alto nível.

É certo que muitos agentes públicos terão dificuldades em suas reeleições, diante de sua estagnação e poucas ações realizadas. Aqueles que souberam – com muito trabalho, determinação, criatividade e parceria – buscar obras e ações mínimas para os graves problemas sociais terão o reconhecimento popular. A generosidade dos eleitores sempre foi e será maior que as decepções que lhe são dadas.

Não podemos deixar de escolher nossos representantes. Com a proximidade das eleições, nunca é demais lembrar o que nos disse o dramaturgo alemão Bertold Brecht, quando discorre sobre o “analfabeto político”:

“O pior analfabeto é o analfabeto político. Ele não ouve, não fala nem participa dos acontecimentos políticos. Ele não sabe que o custo de vida, o preço do feijão, do peixe, da farinha, do aluguel, do sapato e do remédio dependem das decisões políticas. O analfabeto político é tão burro que se orgulha e estufa o peito dizendo que odeia a política. Não sabe o imbecil que, da sua ignorância política, nasce a prostituta, o menor abandonado e o pior de todos os bandidos, que é o político vigarista, pilantra, corrupto e lacaio das empresas nacionais e multinacionais.”

Agora, tão lamentável quanto o analfabeto político são os doutores em picaretagem. Por nossa sorte, muitos deles foram e estão sendo expurgados da política. Outros, nesta e na próxima eleição, também receberão o cartão vermelho dos eleitores que, mais que decepcionados, sofrem com a carestia dos alimentos, o desemprego, a inflação e dificuldades outras.

É preciso deixarmos de lado o partidarismo, priorizando a qualidade do candidato. Não estamos mais na época do bipartidarismo. Precisamos exercitar o voto da consciência.

O pais está quebrando velhos paradigmas de lideranças que nos pareciam intocáveis. O evidente coronelismo está ruindo. O mau socialismo, que tivemos nos últimos treze anos, levou o pais a bancarrota. Regimes ditatoriais a todo instante caem e perdem força pelo mundo, enquanto muitos por aqui, ainda insistem em apoiá-los. O povo tem ido as ruas clamar por mais justiça e moral na vida pública e está mais politizado.

É certo que estamos em um momento de transição, que nos requer atenção redobrada em nossas escolhas. Não podemos deixar nos levar pela descrença e não participar do legítimo e democrático direito de votarmos em nossos próximos representantes.

Não tenho dúvidas de que a próxima eleição será diferenciada, não só pelo tempo mais curto de campanha mas, também, pela forma de sua condução e apresentação das intenções e propostas dos candidatos. A mesmice não será aceita. Doações e negociatas serão mais vigiadas. Campanhas milionárias rechaçadas. É momento de os bons se sobressaírem frente aos que fazem da política um balcão de negócios. É preciso atenção redobrada, para que não venhamos amargar mais quatro anos pela escolha mal feita.

Neste momento de renovação, manutenção e esperança, não podemos nos omitir ou deixar de participar. Se está dando certo, mesmo com grandes dificuldades, que mantenhamos nossos líderes. Trocar por mero protesto não é o correto, pois isto somente nos causaria um problema ainda maior. Mas se não nos agrada e não nos oferece confiança, o que podemos e devemos fazer é buscar sua alternância.

Que exerçamos o dever democrático de bem escolher nossos representantes, pois o destino de nossos municípios e de nosso país sempre estará em nossas mãos.

 

(Cleverlan Antônio do Vale, administrador de empresas e gestor público, articulista do DM. Escreve às quintas neste periódico – [email protected])

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