Brasil

Festas juninas: fé, cultura e alegria

Redação DM

Publicado em 26 de junho de 2016 às 02:34 | Atualizado há 10 anos

Retomo, hoje, um tema que desperta as pessoas para a alegria, para a fé e para a valorização da cultura popular em todo o país.  Conforme a própria denominação, as festas juninas celebram os três santos juninos: Santo Antônio, São João e São Pedro.

Recentemente abordei sobre Santo Antônio, cuja festa é realizada no dia 13 de junho e abre os festejos juninos, dando ênfase à tradição que o nomeia como Santo casamenteiro. São João é a maior festa do mês, comemorada no dia 24 de junho, pois nela se concentra uma série de tradições como, fazer fogueiras, comidas típicas de milho e coco, soltar fogos, enfeitar o arraial, etc. As festas juninas são encerradas no dia 29 de junho, não atingindo a animação semelhante à de São João. Contudo, um dos agregados mais importantes destes festejos são as quadrilhas juninas, de origem inglesa, propagadas na Europa pelos franceses e introduzidas no Brasil em 1808, com a vinda da família real portuguesa. Dessa forma, em todo o Brasil é comum a prática das festas juninas, embora o destaque para essas comemorações seja o Nordeste, os demais estados têm aderido com muita animação. Podemos citar, por exemplo, nosso estado de Goiás, onde as festas juninas estão entre os principais eventos do mês de junho. Clubes, paróquias e até abrigo de idosos movimentam Goiânia e cidades do interior com extensa programação. Muitas das opções são gratuitas, mas algumas custam um valor simbólico por pessoa. Dentre as comidas típicas destes eventos surgiram também em Goiás as famosas pamonhas, que acrescentou às comidas típicas feitas de milho, além de cocada, pé de moleque, paçoca etc. Mas a mais famosa delas é a canjica, que não pode faltar em nenhuma festa junina.

As festas populares, sobretudo as comemoradas no mês de junho, alusivas a Santo Antônio, São João e São Pedro, em suas múltiplas tipologias e manifestações, estão acompanhando as mudanças e transformações registradas na contemporaneidade. Basta lembrarmos de que essas festas eram caracterizadas como sendo típicas rurais e até restrita a alguns grupos sociais. Com influências nos contextos regionais, fortalecidas por concepções de uma sociedade midiatizada, esse cenário do culturalismo inicial foi perdendo espaço diante das novas gerações que são responsáveis e portadoras de novos valores estéticos. Muitas dessas mudanças registradas nas festas e folguedos populares estão ocorrendo em várias partes do mundo a partir da intervenção de variáveis econômicas, sociais, culturais, educacionais. Espero que este novo cenário não contribua para o esvaziamento das manifestações da Cultura Popular tradicional, que trazem novas formas na performance e no vestuário. Desejo que a cultura do chamado “novo”, “moderno”, das festas juninas, seja capaz de preservar os mesmos sentimentos da tradição centenária em que se fundem o mito, a crença e a fé nos santos os quais sustém esses eventos juninos.

Paralelamente a cultura da dança, da quadrilha e da comida típica junina, tem a lenda do nascimento da fogueira de São João. É uma lenda de origem religiosa a qual se fundamenta nos santos que preconizam as festas juninas. Dizem que Santa Isabel era muito amiga de Nossa Senhora e, por isso, costumavam visitar-se. Uma tarde, Santa Isabel foi à casa de Nossa Senhora e aproveitou para contar-lhe que dentro de algum tempo nasceria seu filho, que se chamaria João Batista.  Nossa senhora então perguntou: “como poderei saber do nascimento dessa criança?” Respondeu-lhe Santa Isabel: “vou acender uma fogueira bem grande; assim você poderá vê-la de longe e saberá que João nasceu. Mandarei também erguer um mastro com uma boneca sobre ele”. Santa Isabel cumpriu a promessa. Certo dia Nossa Senhora viu ao longe uma fumaceira e depois umas chamas bem vermelhas. Foi à casa de Isabel e encontrou o menino João Batista, que mais tarde seria um dos santos mais importantes da religião católica. Isso se deu no dia 24 de junho. É importante lembrar que o Dia de São João é celebrado no dia do nascimento do Santo, diferentemente dos demais santos em que a data de comemoração é a da morte.

Esses valores da tradição católica aditam sentimentos de união, de confraternização e amizade entre as pessoas, além do espírito de religiosidade, assim percebo, nos vários eventos festivos que tenho a oportunidade de participar. Momentos de descontração e leveza que devem prosseguir nos próximos séculos, contando fatos, cantando e louvando os santos, nos passos da alegria e do entusiasmo. Nesse momento, em que o mundo perpassa por crises de ordem econômica, social, religiosa, entre uma notícia de tragédia, dor, ou corrupção, há espaços para se noticiar acontecimentos de descontração nas belas quermesses, onde se louvam o santo junino; ou nas repartições públicas, quando se trocam a fadiga do dia-a-dia pela leveza de uma dança e a singeleza gastronômica; ou nas escolas, onde as crianças aprendem a cultura dos traços populares rurais, da roça. Isto é o encantamento deste período mágico, que nunca pode ser esquecido. Fico feliz, porque o nosso estado tem se revelado atento à tradição e aos costumes de outrora. Assim incluo minha querida Goiânia, que notadamente encontra espaço e respaldo das instituições católicas, públicas e privadas para conservar nossa cultura.

Pelo meu carinho para com o folclore, pela minha devoção a Santo Antônio, São João e São Pedro, tenho a liberdade de pedir a eles que protejam nossa cidade, cuidem de nossa gente para que nunca prevaleça o mal, para que a alegria e o amor se eternizem entre as pessoas e todos nós possamos viver em paz e com alegria.

Viva Santo Antônio!

Viva São João!

Viva São Pedro!

 

(Célia Valadão, cantora, bacharel em Direito, vereadora e vice-presidente do PMDB Metropolitano)

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