Brasil

Folclore e a cultura do consumo

Redação DM

Publicado em 23 de agosto de 2016 às 02:17 | Atualizado há 10 anos

A palavra inglesa folklore, significa conhecimento do povo ou o que é ensinado pelo povo. O criador do termo foi o pesquisador da cultura europeia William John Thoms (1803-1885). Atualmente, a palavra folclore expressa o conjunto de manifestações e tradições populares, como lendas, provérbios, e demais costumes tradicionais que são transmitidos de geração em geração. Portanto, representa a identidade social de uma comunidade.

Com a Revolução Industrial, no século XX, os modos de produção se alteraram, modificando o próprio ambiente em que as pessoas viviam. A cultura, responsável por entender o que o ser humano adquire em seu contato social, também sofreu modificações. Ao refletirmos sobre o processo de globalização e a sociedade de consumo, percebemos que a escola é a instituição que mantém a circulação das histórias folclóricas. No Brasil, por exemplo, embora algumas regiões realizem eventos e festas com foco na cultura popular, contar histórias como a do Saci-Pererê, Boto Rosa, Boitatá, entre outras, fica a cargo da escola ou de grupos que contam histórias de tradição oral.

Se acrescentarmos em nossa reflexão todo o processo histórico desde a tal revolução, o desenvolvimento do capitalismo, a revolução tecnológica, a globalização econômica e a sociedade de consumo, é possível perceber que na atualidade existe uma forte tendência para a valorização e a divulgação de personagens, lendas e histórias de outros países e regiões, como norte-americanas e europeias. Com isso, se por um lado notamos que a cultura popular foi ampliada com a inserção de novos elementos, por outro, no entanto, é fundamental ressaltarmos que essa mesma cultura se transformou em algo “industrializado”.

A cultura passa a ser o que é mais interessante comercialmente, o que agrada momentaneamente as multidões. O que é valorizado não é a cultura popular, mas a popularidade. E, para a indústria cultural, o que tem popularidade pode ser relegado ao esquecimento após atingir o ápice, com o objetivo de divulgar um novo produto, uma nova mercadoria.

A influência de outras culturas não é uma ameaça para a identidade cultural nacional, no entanto, é preciso pensar na importância de resgatar as nossas tradições culturais, em detrimento daquelas que são impostas pela globalização e que, muitas vezes, são criadas apenas para o consumo das pessoas.

 

(Daniele Eloise do Amaral Silveira Kobayashi, pedagoga, psicóloga, mestre em Saúde, Interdisciplinaridade e Reabilitação e coordenadora dos cursos de Psicologia, Recursos Humanos e Pedagogia da Faculdade Anhanguera de Campinas – unidade Ouro Verde)

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