França rejeita pedido de asilo de Assange
Redação DM
Publicado em 3 de julho de 2015 às 00:57 | Atualizado há 11 anosPARIS — O presidente François Hollande negou nesta sexta-feira o pedido do fundador do WikiLeaks, Julian Assange, de se asilar na França. Assange tinha feito um apelo diretamente a Hollande, poucos dias depois de documentos publicados pelo WikiLeaks revelarem que a Agência de Segurança Nacional (NSA) grampeou e espionou várias conversas de sucessivos líderes franceses entre 2006 e 2012, incluindo o próprio Hollande.
‘Minha vida está em perigo”, escreveu Assange em uma carta ao presidente publicada pelo jornal francês “Le Monde”. “A França é o único país que pode me oferecer a proteção necessária contra … as perseguições políticas que enfrento”.
Nos últimos três anos, Assange tem vivido na embaixada do Equador em Londres, onde se refugiou para evitar a extradição para a Suécia por supostos crimes sexuais. Ele teme que o governo sueco possa extraditá-lo para os EUA, onde ele enfrentaria um julgamento pela publicação de um grande número de documentos secretos.
Menos de uma hora depois que sua carta foi publicada pelo site do “Le Monde”, o gabinete de Hollande divulgou um comunicado informando que o pedido de asilo foi rejeitado.
“A França recebeu a carta do Sr. Assange. Uma análise profunda mostra que, em vista dos elementos jurídicos e elementos materiais da situação do Sr. Assange, a França não pode conceder o asilo”, disse o comunicado, citando que ele é alvo de uma ordem de prisão europeia.
No documento, o fundador do WikiLeaks ressaltou que seu filho mais novo é francês, assim como a mãe da criança, e que há cinco anos não consegue ver o garoto. Assange acrescentou que estava “emocionado” que a ministra de Justiça francesa, Christiane Taubira, considerou um asilo para ele na França.
Na semana passada, o WikiLeaks publicou relatórios confidenciais de inteligência da NSA que mostram que o órgão americano grampeou e espionou conversas dos presidentes franceses François Hollande, Nicolas Sarkozy e Jacques Chirac, entre 2006 e 2012. De acordo com a organização, celulares dos líderes, ministros e outros altos funcionários foram interceptados por mais de seis anos. O caso causou um mal-estar entre França e EUA, e Hollande afirmou que a espionagem era “inaceitável”.