Goiânia e seus caminhos
Redação DM
Publicado em 16 de abril de 2016 às 02:17 | Atualizado há 10 anos
Aproximam-se as eleições, muitos candidatos irão expor seus planos de governo, alguns realistas, outros sem nenhum conteúdo exequível.
Goiânia é uma cidade formada, madura, com um setor produtivo precisando ser livre das amarras tributárias do governo para poder voar alto, gerando emprego, renda e justos impostos.
Goiânia, portanto, precisa ter rumo, ter caminhos a seguir.
O primeiro caminho é o da solidariedade, cuja meta principal é o atendimento da demanda de sobrevivência e que permita a inclusão e a cidadania, através do aumento da renda familiar, de habitação digna em moradias seguras e com saneamento e da assistência as crianças e adolescentes nas políticas universais, especialmente a educação, e do acesso dos pais e mães de família à alfabetização e ao emprego. Pelo funcionamento 24 horas por dia de toda a rede municipal de saúde, pela garantia de existência do pessoal necessário e habilitado e de material e medicamentos básicos, em toda a rede pública. Compromisso com o acesso e especialmente a qualidade através da ampliação das redes de escolas, o aumento da escolaridade das crianças e adolescentes e melhoria na qualidade de ensino.
Ainda no caminho da solidariedade, deve-se promover a integração das populações mais pobres e excluídas através da construção de políticas sociais integradas e ampliação da rede de proteção social básica, como exemplo a política de moradia popular e regularização fundiária, política de saúde, educação, cultura e esportes integrados, política de desenvolvimento da economia popular e de inclusão dos direitos básicos de cidadania e segurança pública. Reduzir as desigualdades sociais, por meio da transferência direta de renda para setores excluídos da sociedade; aumentar o consumo da população carente; e, talvez o mais importante, atuar como ação preventiva ao desvio precoce de crianças e jovens para o mercado de trabalho, contribuindo para ampliar a consciência de cidadania das populações que vivem a apartação social.
Outro importante caminho a ser tomado é o da produtividade, a partir da adoção de políticas, programas e projetos capazes de promover na área econômica a formação e aperfeiçoamento dos trabalhadores, bem como a preservação e o aumento da competitividade das empresas. Na área físico-territorial implicaria na universalização da rede de infraestrutura que será levada a todos os bairros.
Finalizando, o caminho mais abrangente: o caminho da qualidade. Ele envolve a retomada do planejamento urbano realizado em conformidade com o objetivo estratégico de Goiânia do futuro e atento às suas vocações econômicas. A modernização da infraestrutura física e de transportes da cidade, com apoio a projetos de ponta, especialmente na área de comunicações, reestruturação básica do sistema viário, ordenação e melhor fluidez do trânsito e a estruturação do transporte coletivo.
Dentro deste caminho tem que ser focado a priorização das áreas de preservação ambiental no planejamento e nos projetos municipais. Dotar a cidade de uma estrutura administrativa descentralizada, ágil, desburocratizada e eficiente coordenada por planejamento estratégico.
Constituir um sistema de governança regional, planejamento metropolitano estratégico, com gestão democrática e implementação de projetos integrados de plano diretor metropolitano.
Concluindo, não precisamos de trieiros, nem rotas de fuga, nós precisamos mesmo é de um caminho real para que possamos desenvolver políticas, programas e projetos capazes de promover na área econômica a formação e aperfeiçoamento dos trabalhadores, bem como a preservação e o aumento da competitividade das empresas. Que seja respeitado e implementado o Estatuto das Cidades, em seus instrumentos como o IPTU progressivo, estudo do impacto de vizinhança. Concessão de uso especial entre outros, para reordenação da ocupação territorial e uma nova política urbana socialmente mais justa e ambientalmente sustentável. E assim posto em prática as políticas de infraestrutura capazes de reorientar o crescimento da cidade e garantir a melhoria nas condições gerais, entre elas: políticas integradas de transporte público e tráfego, saneamento ambiental, recuperação de áreas degradadas, de proteção ambiental e de risco, de equipamentos públicos, desenvolvimento econômico e turismo.
(Garibaldi Rizzo, arquiteto e urbanista, presidente do Sindicato dos Arquitetos e Urbanistas de Goiás, conselheiro titular do CAU-GO)