Goiânia revelou o administrador Iris Rezende
Redação DM
Publicado em 30 de setembro de 2016 às 02:15 | Atualizado há 10 anosOs anais históricos são incontestáveis. A infraestrutura do nosso Estado se deve, na sua maior parte, às administrações de Iris Rezende Machado. A pavimentação de mais de cinco mil e quinhentos quilômetros de rodovias, os estabelecimentos destinados aos serviços em prol da saúde pública e da educação, a mais de uma centena de terminais rodoviários, as Faculdades de Morrinhos, Pires do Rio, Porangatu, Iporá (as de que me lembro no momento), o Estádio de Ceres, os palácios-sedes do Poder Judiciário nesta capital, dezenas de ginásios de esportes, a grande estação rodoviária de Goiânia, um incontável número de realizações responsáveis pelo desenvolvimento estadual, são páginas notáveis da história política e administrativa goiana. Inegável, porém, que a obra evidenciadora da capacidade do Iris Rezende administrador e que por isso mesmo lhe valeu 13 anos depois a assunção do governo do Estado, foi a grandiosa obra que realizou como prefeito eleito em 3 de outubro de 1965. Essa eleição por si mesma revelava o dinamismo do candidato, que superou, enfrentando um ex-governador – José Ludovico de Almeida – as dificuldades que a ditadura implantada em 1964 lhe opunha. O Brasil era governado por generais e Goiás por um marechal, o velho Ribas Júnior, depois de uma passagem de triste memória do coronel – interventor Meira Matos. Iris evidenciou enorme talento para vencer a eleição. E logo no primeiro dia de sua administração dava início a um governo caracterizado pelo dinamismo, pela capacidade de realização matizada por revolucionários métodos de trabalho. Em poucos dias Campinas já se via eufórica com o espetáculo do asfaltamento das suas ruas, antes vítimas de total inércia administrativa. E tal como Campinas os demais bairros goianienses ganhavam novo aspecto com a pavimentação das vias públicas. A população encheu-se de entusiasmo com o cenário de trabalho que já nos primeiros meses a administração Iris Rezende propiciava à admiração de todos. A grandeza desse cenário já no primeiro ano se dimensionava grandemente: construiu-se a Vila Redenção, com milhares de habitações populares. Logo em seguida a Vila União, a Vila Canaã, a Vila Novo Horizonte. Goiânia se constituía em exemplo para todas as capitais de Estado. Ergueu-se o Parque Mutirama, magnífico centro de diversões para toda a população infantil da cidade. O calendário eleitoral marcava eleições para governador de Estado no ano seguinte. Estávamos em 1969 e a obra de Iris Rezende Machado à frente da Prefeitura de Goiânia fez espalhar-se por todo o Estado o slogan – “Bom P’ra 70”. Era a candidatura de Iris no coração do povo. Mas em 23 de outubro de 1969, quando o prefeito inaugurava Praça do Avião estourou a notícia: o regime militar, tal como fizera com os senadores Pedro Ludovico e João Abrão, com vários deputados federais e estaduais e com centenas de líderes pelo Brasil afora, cassara o mandato e os direitos políticos por 10 anos de Iris Rezende Machado. Houve um misto de tristeza e revolta do povo. E logo depois as eleições diretas para governador e presidente da República se viram suprimidas no Brasil.
Mas aquele que era o Bom P’ra 70 tornou-se 12 anos depois o grande candidato do povo a governador e em 3 de outubro de 1962 Iris Rezende Machado alcançou 1 milhão de votos, suplantando o ex-governador Otávio Lage de Siqueira por cerca de 500 mil votos. E veio a realizar, como assinalado no início do presente artigo, governo memorável.
Na estima e admiração popular o nome de Iris Rezende se enraizara tanto que, mesmo em meio à adversidade muitos anos depois, em 2004 e 2008, se viu consagrado novamente prefeito de Goiânia.
Depois de amanhã, 2 de outubro, deverá a eleição consagrar a volta do prefeito de que Goiânia precisa.
(Eurico Barbosa, escritor, membro da AGL e da Associação Nacional de Escritores, advogado, jornalista e escreve neste jornal terças & sextas-feira)