Brasil

Governo assenhoreado pela corrupção

Redação DM

Publicado em 8 de junho de 2016 às 03:34 | Atualizado há 10 anos

As contas do rosário de desonestidades do esquema político que se assenhoreou do governo do país a partir do dia 17 de abril – há vinte e um dias portanto – a cada dia que passa têm a sua soma estarrecedoramente acrescida. A manchete da primeira página da Folha de São Paulo de anteontem foi esta: “Janot diz que ministro foi favorecido no petrolão”: e no subtítulo: “Pela 1ª vez procurador-geral liga repasses a Henrique Alves”. Este é o ministro do Turismo nomeado pelo interino Michel Temer e que havia ocupado esta pasta no governo anterior.

O prestigioso jornal paulista, cuja linha de cobertura dos fatos políticos após o afastamento de Dilma Rousseff se me afigura até agora de louvável imparcialidade, registra:

“O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, afirmou ao STF (Supremo Tribunal Federal) que o ministro Henrique Eduardo Alves (Turismo) atuou para obter recursos desviados da Petrobrás em troca de favores para a empreiteira OAS.

É a primeira vez que Janot liga os repasses feitos para Alves aos desvios ocorridos no petrolão. O peemedebista foi ministro do Turismo durante a gestão Dilma e voltou ao cargo no governo interino de Michel Temer.

Parte do dinheiro desviado teria abastecido a campanha do ministro ao governo do Rio Grande do Norte em 2014, quando foi derrotado.

A negociação envolveria o deputado afastado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) e o ex-presidente da OAS Léo Pinheiro. Janot aponta que Cunha e Alves atuaram para beneficiar empreiteiras no Congresso, recebendo doações em contrapartida.

As suspeitas constam de inquérito enviado no fim de abril ao Supremo, até agora mantido sob sigilo. Não há informação se houve decisão do ministro do Supremo Teori Zavascki pela abertura da investigação.

O ministro disse em nota que todas as doações recebidas em 2014 foram registradas e aprovadas pela Justiça Eleitoral.”

Há quinze dias o escândalo da nomeação de Fabiano Silveira para o Ministério da Transparência resultou na sua imediata demissão. Uma gravação provou ser ele um dos que tramam contra a Lava Jato, por revelar corrupção de muitos daqueles que articularam e promoveram o complô culminante com o afastamento da presidente Dilma Rousseff.

Logo em seguida provas incontestáveis e chocantes determinaram a Demissão de Romero Jucá imediatamente à sua nomeação por Michel Temer para o Ministério do Desenvolvimento. O político de Roraima tem contra si, inclusive no STF, processos desde 2004.

Contrariamente a esses dois gestos Michel Temer já decidiu por manter o potiguar Henrique Alves no Ministério do Turismo. Essa leniência – ou, talvez melhor dizendo, complacência do vice-presidente que já antes da votação do impeachment se dedicou a formar sua equipe de governo, ocorreu e ocorre também em relação a outros dois peemedebistas: Fábio Osório, nomeado para a Advocacia Geral da União; e Fátima Pelaes, escolhida para a Secretaria de Mulheres. Ambos estão envolvidos em graves denúncias.

Também continuam a fazer parte do ministério vários outros elementos citados como investigados da Lava Jato: Geddel Vieira Lima, Secretaria de Governo; Mendonça Filho, Ministério da Educação; Raul Jungmann, Ministério da Defesa; Ricardo Barros, Ministério das Cidades e Saúde. Trata-se como se vê de complacência bastante comprometedora para a autoridade do presidente interino.

Outros fatos a demonstrar a precariedade moral do atual situacionismo serão enfocados depois de amanhã.

 

(Eurico Barbosa, escritor, membro da AGL e da Associação Nacional de Escritores, advogado, jornalista e escreve neste jornal terças & sextas-feiras)

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