Brasil

Guerra fria tupiniquim?

Redação DM

Publicado em 7 de abril de 2016 às 03:17 | Atualizado há 10 anos

Diante de acontecimentos bombásticos diários está sendo impossível ficar completamente apático ao cenário político brasileiro. A cada nova informação da operação Lava Jato divulgada pela mídia, as salas de aula, as reuniões familiares, os botecos, a internet e qualquer aglomeração de pessoas ganha nova pauta para os debates de rotina.

É fato que vivemos uma das maiores, senão a maior, crise política e moral do País. Estão sendo desvendados os bastidores dessa tragicomédia partidária imunda que se instaurou no país desde a redemocratização.

Essa vitória atual da justiça e da moralidade, que traz consigo o amargo de derrotas passadas, é importantíssima para evidenciar que ainda há esperança para o Brasil.

O que às vezes passa despercebido é que a grande vitória social não consiste apenas em julgar e condenar esses tumores nacionais, o maior legado que essa revolução moral pode deixar é completamente abstrato, e deve brotar dentro de cada cidadão da pátria amada.

Isso mesmo, devemos nos unir para repudiar qualquer ato corrupto, a começar por situações corriqueiras do dia a dia, chegando até aos atos praticados pelos governantes, independente de partido.

Porém, o efeito até então percebido é o de divisão social, logo no momento que deveríamos ser um só pela República Federativa do Brasil. Está sendo instaurada uma bipolarização na sociedade brasileira. Infelizmente estão deturpando a finalidade desta revolução tão justa e remontando a Guerra Fria no Brasil.

Vivemos momentos de tensão em que se deve tomar um partido para defender, é obrigatório se posicionar, ou você é de esquerda ou de direita, ou é rotulado de “coxinha” ou de “petralha”, ou é da tribo dos azuis ou dos vermelhos.

O que de tão infundado chega a ser cômico, uma vez que no Brasil não existem partidos essencialmente de direita, o que se observa aqui são partidos políticos congêneres que formam grupos políticos baseados em jogo de interesse e do que for mais vantajoso no momento.

Estamos passando por uma fase decisiva de nossa história, e é necessário que façamos um novo grupo social, o grupo dos brasileiros pelo Brasil, pois se o objetivo comum é único, um país decente, justo, seguro e saudável para se viver, por qual motivo devemos antagonizar os meios de alcançá-lo?

Tomara que essa revolução não se torne uma guerra civil, deixemos isso para a Marvel. E que ao final dessa história a vitória seja exclusivamente do cidadão brasileiro, caracterizado apenas pela sua nacionalidade.

 

(José de Assis Neto, bacharel em Direito. [email protected])

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