Índice de confiança no Brasil está voltando
Redação DM
Publicado em 21 de junho de 2016 às 02:25 | Atualizado há 10 anosO índice de confiança no Brasil está voltando gradativamente. Os investidores nacionais e internacionais vêem a ascensão de Michel Temer como passo positivo, porque restabelece a confiança. Mas entendem que o novo governo ainda é provisório e, por isso, precisam aguardar mais tempo. O impedimento definitivo da Dilma Rousseff é que dará a palavra final. E tende a resgatar a credibilidade perdida em 13 anos de governo.
O Senado Federal tem até 180 dias para julgar o mérito da acusação contra a petista – autorização de créditos orçamentários e uso de pedaladas fiscais. Nesta etapa, para que Dilma seja afastada definitivamente é preciso que 54 dos 81 senadores votem a favor do impeachment. Pela contabilidade vigente, se dois senadores resolverem mudar o voto em favor da presidente, ela voltará ao poder. Como o empreendedor costuma avaliar as possibilidades futuras, aguardar mais representa cautela.
Ouve-se com freqüência vozes na sociedade dizendo que nada mudou. É preciso refletir mais. O povo em geral não aprecia muito o ato de gastar fosfato com reflexão. Mas os que se dispõe a pensar mostram claramente que o Brasil dá os primeiros passos em direção positiva. Exemplo: um governo voltado para o partido e para o aspecto ideológico está fora por pelo menos por 180 dias.
A possibilidade de retorno somente ocorrerá em novembro. Pessoalmente acredito que o Senado dará o tiro de misericórdia no governo Dilma. Passo do pressuposto que não há recuo no Legislativo. As pedaladas fiscais e outros senões sérios se acentuam cada vez mais. Embora Dilma esteja percorrendo cidades do Nordeste, onde foi bem votada, as manifestações em seu favor se arrefecem. Os próprios partidários descrêem do sucesso em conversa mais reservada.
A sociedade deixa de acreditar na conversa de “golpe”. Retribuem em tom jocoso que o “golpe”, este sim, foi dado na Petrobras pelos governos petistas. Eles conseguiram quebrar uma empresa petrolífera, o que não se vê isto em lugar nenhum do mundo. E justamente uma empresa criada na era Vargas, do forte cunho nacionalista e populista. Hoje, se Getúlio Vargas retornasse ao mundo, morreria de vergonha pelo que fizeram à sua criação.
Participando de um fórum nacional da indústria de alimentos na semana passada em Goiânia com a presença de cerca de duzentos empresários regionais e lideranças nacionais, pude sentir a preocupação com o presente e o futuro brasileiro. Essas lideranças lamentam profundamente o tempo perdido nesses últimos anos. E proclamam a necessidade urgente de medidas para recuperar a economia nacional.
Para Luiz Fernando Furlan, que presidiu a Sadia e foi ministro da Indústria e Comércio, “o Brasil retoma a esperança” com Michel Temer no poder. Roberto Rodrigues, ex-ministro da Agricultura e presidente do Lide Agronegócios, está convencido da “injeção de ânimo” com os novos governantes. O governador Marconi Perillo aposta na agroindústria brasileira, a partir do Centro-Oeste e, em particular, de Goiás.
Tem-se que apostar no novo governo, sim. Porque, não? Claro, há necessidade de consolidá-lo, votando definitivamente com o impeachment de Dilma. Seu governo foi um desastre para a sociedade, sobretudo para as camadas mais pobres. A inflação consome a renda do assalariado em pelo menos 8% ao mês. Ou seja, se ganha mil por mês, o processo inflacionário corrói 80 reais, o que significa praticamente as compras do supermercado ou o pagamento da taxa de luz. A condição dramática atual de 12 milhões de brasileiros desempregados tende a ser gradualmente alterada.
A saída definitiva da presidente em exercício significa que a credibilidade tende voltar à sociedade e, em particular, aos investidores. O comércio varejista foi o primeiro a dar sinais de recuperação, conforme recente pesquisa do IBGE. Pouca ainda, mas real.
O meio empresarial, no entanto, cobra a execução de reformas de cunho tributário e trabalhista, além da remoção da pesada carga tributária. Essa tarefa é Congresso Nacional. Ao governo cabe a urgente implantação da logística dos transportes, sobretudo unificando na medida do possível os sistemas ferroviário, hidroviário e ferroviário.
Os Ministérios das Relações Exteriores, da Indústria e Comércio e da Agricultura já seguem outro figurino no plano do comércio internacional. Ao invés de relações estreitas e incestuosas com países como Cuba, Venezuela e Bolívia, restabelecer relações mais proveitosas no plano econômico com os Estados Unidos, Europa e Japão. Esses tradicionais parceiros foram deixados de lado porque eles não comungam do credo ideológico marxista – leninista.
Os ministros da Indústria e Comércio e Agricultura buscam, além destes, novos mercados asiáticos e da Oceania. O mundo tem fome e o Brasil tende a ser a saída para o seu abastecimento das proteínas animais e vegetais. Goiás, como estado produtor por excelência, com certeza dará a sua forte contribuição. Para corresponder no plano estratégico da alimentação, as unidades de pesquisa públicas e privadas nacionais se ampliam e aprimoram na tecnologia requerida pelo meio rural.
Acredito que a largada foi dada. A sociedade deu sinal verde. Cabe ao Congresso Nacional e o Judiciário o exercício da complementação.
(Wandell Seixas, jornalista voltado para o agro, bacharel em Direito e Economia pela PUC-Goiás, ex-bolsista em cooperativismo agropecuário pela Histradut em Tel Aviv, Israel, e autor do livro O Agronegócio passa pelo Centro-Oeste)