Justiça decreta interdição de Fernando Henrique Cardoso após avanço do Alzheimer
DM Online
Publicado em 7 de junho de 2026 às 19:52 | Atualizado há 1 hora
A Justiça de São Paulo determinou a interdição civil do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso após um pedido apresentado por familiares em razão do agravamento de seu estado de saúde. A medida reconhece que o ex-presidente já não possui plena capacidade para administrar sozinho atos da vida civil e questões patrimoniais.
Segundo informações do processo, a decisão foi tomada com base em laudos médicos que apontam avanço da doença de Alzheimer e comprometimento cognitivo progressivo. A ação foi movida pelos filhos de FHC, que solicitaram à Justiça a nomeação de um curador para auxiliá-lo formalmente na administração de seus interesses.
O filho Paulo Henrique Cardoso foi indicado como curador provisório. Na prática, ele passa a representar o ex-presidente em decisões financeiras, administrativas e jurídicas. De acordo com relatos ligados ao processo, familiares afirmam que esse acompanhamento já vinha ocorrendo de maneira informal nos últimos anos.
A interdição civil é um instrumento previsto na legislação brasileira para proteger pessoas que perderam parcialmente ou totalmente a capacidade de responder por determinados atos da vida civil. A medida não retira direitos fundamentais nem significa afastamento da convivência social, mas transfere a responsabilidade de decisões específicas para um representante legal supervisionado pela Justiça.
Aos 94 anos, Fernando Henrique mantém relevância histórica e política no país. Sociólogo de formação, foi um dos principais formuladores do Plano Real e presidiu o Brasil entre 1995 e 2002. Nos últimos anos, reduziu drasticamente as aparições públicas devido às limitações de saúde.
O caso reacendeu o debate sobre envelhecimento, doenças neurodegenerativas e os mecanismos legais de proteção previstos para idosos em situação de vulnerabilidade cognitiva. Especialistas lembram que a curatela costuma ser adotada quando há risco de prejuízo patrimonial ou incapacidade comprovada para tomada de decisões complexas.
Até o momento, a família não divulgou detalhes adicionais sobre o estado clínico do ex-presidente além das informações já apresentadas no processo judicial.