Laços invencíveis
Redação DM
Publicado em 24 de janeiro de 2016 às 23:33 | Atualizado há 10 anos
Há grande número de moças solteiras que, por nada, talvez capricho apenas, deixam o lar materno, alugam barracos e vão morar sozinhas, ou ajuntam-se a outras, ou a namorados — e se lascam devido a aventuras precipitadas a que se entregam.
Dizem, algumas, estarem “ficando” com um rapaz sem compromisso sério nenhum. Quando a “união” não dá certo, cada um procura seu rumo. As moças geralmente firmam no emprego e costumam enfrentar um vestibular, um curso técnico ou escola noturna.
Muitas delas, no entanto, voltam ao convívio familiar, outras não, vivem com dificuldade, mas enfrentam os desafios. Quanto aos rapazes, diferentemente das moças, na maioria, retornam à casa paterna ou materna. Ou conseguem enganar duas e vivem na bigamia, tendo filhos com elas. Assim, até que um dia “a casa cai” — e as crianças vão parar nas creches: os três têm que trabalhar e não há com quem deixar suas crianças.
Depois que deixam seus familiares, cada qual com sua natureza e pouca experiência, tanto o moço quanto a jovem, não percebem, mas demonstram comportamentos longe do normal e sequer dão por conta de grosseiras gafes que cometem.
Envolvem-se com usuários químicos, cleptomaníacos, pervertidos, desequilibrando a vida da parceira (o), já estando a sua existência quase que totalmente arruinada.
Uns acabam presos, outros foragidos da justiça e as mulheres considerando-se equilibradas ou bem ajustadas revelam-se no ambiente escolar ou no trabalho o quanto foram mimadas, negligentes e preguiçosas, porém, jamais se enxergam assim, em seus naturais defeitos, ou efeitos genéticos, ou de má educação familiar.
Negam suas imperfeições e terminam por agir de modo egoístico, até porque mentem demais, mantém atitudes deselegantes e simuladas, nunca, todavia, se despertando para a própria correção de personalidade, porque não conhecem suas mazelas e seu orgulho, suas manhas e manias.
Isto tanto os rapazes quanto as moças que deixam o convívio familiar, nem sabendo se vão ou não se darem bem ou mal. Um dia exclamam a conclusão final: — Mas eu nem sabia!
(Tempos parecidos ao do Lula e Dilma).
Quanto aos que mantêm a ligação com o lar paterno, na tristeza e na alegria, na miséria ou na abastança, entrosados graças aos laços do amor, do respeito e da harmonia, sempre se saem das dificuldades com mais facilidade, porque sabem que a união faz a força; que conforme velho ensinamento segundo o qual, “um feixe de gravetos a força da adversidade não anula, porém, o graveto, sozinho, é facilmente anulado”.
O moço, em geral, deve respeitar a companheira e jamais desmerecê-la, pois quando a perde é que sentirá o quanto era importante a companheira e o quanto fazia por ele, sem que ele pudesse avaliar, mas quando ela se vai — seus problemas se multiplicam. É isto.
(Iron Junqueira, escritor)