Brasil

Lembranças dos tempos de escola – Parte XLII

Redação DM

Publicado em 16 de maio de 2016 às 21:45 | Atualizado há 10 anos

Como já disse, nossas aulas de educação física agora eram realizadas à noite. O professor não era mais Suelo e sim Mar, ele era um excelente professor, assim como o anterior, porém, com algumas inovações. Costumava dar uma aula teórica dentro da sala de aula em horário normal e outra prática, todas as quintas-feiras na quadra poliesportiva da escola. Assim como os outros alunos, eu era tido por ele como um aluno exemplar. Um dos maiores reconhecimentos dele para com a minha pessoa foi quando eu lhe entreguei um trabalho que já havia sido proposto por ele com o tema: Namorar é… Lembro-me cada palavra daquele texto, como se estivesse escrevendo agora: …Procurar inspiração para o amor que existe em nosso coração, é fazer manifestar em nós o fogo do desejo que arde o nosso interior, é buscar, é requestar, é cortejar, é galantear, é apaixonar, é cativar, é seduzir, é olhar com insistência e cobiçar.

Namorar é buscar aquilo que lhe faz feliz; é requestar o amor para si e para o outro; é cortejar o carinho existente nos momentos conseguidos a se fazer presentes na vida; é galantear tudo e todos com o mesmo pudor; é apaixonar pelo mundo e pela vida; é cativar aquele que namoramos; é dar tudo de nós para contribuir com os shows de sedução, é subestimar a insistência e de um modo dócil, cobiçar e ampliar os esforços para adquirir o mais sensato amor.

Namorar é você se fazer presente e estar sempre ao lado da pessoa que a gente quer, que ama e nunca exigir que ela se faça a presença, pois na verdade, namorar não é aprisionar,  mas sim, libertar. É viver cavalgando nos campos da exatidão, desvendando os mitos, os mistérios, fazendo das fantasias a realidade e conhecer os traços e as diretrizes do mais belo e perfeito amor.

Namorar é manter acima de tudo o conhecimento, o reconhecimento e, principalmente, dar e receber o respeito; é navegar nos mares das experiências, vencerem as ondas dos desconfortos e chegar ao auge dos oceanos da fúria do desejo…

Minha moral ficou tão alta que um dia ao invés de praticar esportes, ele nos deixou durante quatro horas, de dezoito às vinte e duas horas só contando piadas. Nessa época eu estava muito bem humorado. Edu tinha um depósito infinito de anedotas; Érick e Roney pareciam ter uma fonte inesgotável de piadas, Vando por si só já era uma piada e Maick que assim como outros amigos nossos que não eram integrantes da nossa sala, mas tinha a autorização do professor para jogar conosco, sabiam muitas piadas, mas preferiram sentar-se e ouvir as nossas.

Precisamente numa dada hora, resolvi contar uma piada um tanto pesada quanto engraçada. Ali na quadra, entre alunos convidados e o professor tinha cerca de cinquenta pessoas ouvindo umas e contando outras piadas. Então comecei a contar a piada, que se tratava de um rapaz que aos dezoito anos morava numa fazenda e ainda não havia ido a uma cidade e certo dia seu pai, preocupado com a ignorância e ingenuidade do filho, resolveu levá-lo à cidade e lhe mostrar várias coisas, inclusive um prostíbulo, denominado pelo pai de “casa de fazer gente” chegando ao final da piada, fiquei estatelado, quase sem poder respirar, com uma dor alegre na barriga, morrendo de rir e o final da piada foi contado por Edu que já havia escutado ela de mim, porque eu não conseguir contar. Preferir deitar e rolar sobre a quadra e esperar as dores alegres passarem.

 

(Gilson Vasco, escritor)

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