Lembrando a vida passada
Redação DM
Publicado em 19 de novembro de 2017 às 05:55 | Atualizado há 9 anos
Todos nos deslumbramos com as ocorrências surreais dos contos de fadas, mas consideremos que ocorrem verdades surpreendentes no mundo dos Espíritos que também nos deslumbram, com as quais devemos nos familiarizar.
Analise o que aconteceu com um cidadão de nome Sanson, antigo membro da Sociedade Espírita de Paris, falecido a 21 de abril de 1862, depois de um ano de atrozes padecimentos.
Sabendo que ia morrer, dirigiu-se ao presidente da Sociedade, em carta, solicitando que se cumprisse um pedido que lhe havia feito, há cerca de um ano: quando morresse, que se evocasse o seu Espírito o mais breve possível para que, como membro dessa Sociedade de Estudos Espíritas Parisiense, pudesse ser útil depois de morto. Seria interessante trazer pessoalmente informações dessa passagem, já que a morte para os espíritas não passa de uma transformação, segundo os desígnios insondáveis de Deus, mas sempre útil ao fim a que Ele se propõe.
O que ele solicitava era uma autópsia espiritual, desculpando-se em função do seu pouco adiantamento, pedindo que suplicassem ao Todo Poderoso a assistência dos bons Espíritos e de São Luiz, o presidente espiritual do grupo de estudo, lembrando, ainda, da proteção que necessitava, na escolha de uma nova encarnação, ideia que há muito o preocupava.
Seu desejo foi acolhido e o evocaram, ainda na câmara mortuária, onde se passou o colóquio, estando seu corpo presente, precedendo a uma hora do respectivo enterro.
O propósito era atender a solicitação do amigo, como objeto de estudo e observar a situação de uma alma, conhecida daquele grupo, em momento tão imediato à morte. Obviamente, estariam frente ao testemunho de um homem esclarecido, inteligente e convicto das verdades espíritas.
Não se arrependeram, pois tiveram a descrição desse inusitado instante da transição. O Espírito narrou a passagem vendo-se morrer e renascer, o que é uma circunstância pouco comum e ocorreu devido à elevação do seu Espírito. Detalhes da descrição estão descritos por Allan Kardec, no livro O Céu e o Inferno, 2- parte, cap. II FEB Editora, 2013.
Alguns destaques da narrativa de Kardec: “Ainda na Câmara mortuária, dois dias após o seu desenlace, tendo sido evocado , o Sr. Sanson atendeu à solicitação para cumprir a sua promessa. “É uma graça especial que Deus me concede para que possa manifestar-me; agradeço a vossa boa vontade, porém, sou tão fraco que tremo…
Perguntaram-lhe como estava se sentindo após o desencarne. “Sentis ainda as vossas dores?”
Respondeu que sua situação era bem ditosa; achava-se regenerado, renovado, nada mais sentindo das antigas dores. E acrescentou: “ A passagem da vida terrena para a dos Espíritos deixou-me de começo num estado incompreensível, porque ficamos algumas vezes muitos dias privados de lucidez. Eu havia feito um pedido a Deus para permitir-me falar aos que estimo e Deus ouviu-me.
“Ao fim de oito horas Deus deu-me uma prova de sua bondade, maior que o meu merecimento e eu não sei como agradecer-lhe. Certamente, não sou mais desse mundo, mas estarei ao vosso lado para vos proteger e sustentar, a fim de pregardes a caridade e a abnegação, que foram os guias da minha vida. Depois ensinarei a verdadeira fé, a fé espírita, que deve elevar a crença do bom e do justo; estou forte, robusto, em uma palavra_ transformado.
“Em mim não reconhecereis mais o velho enfermo que tudo devia esquecer, fugindo de todo prazer e alegria. Eu sou Espírito e a minha pátria é o Espaço, o meu futuro é Deus , que reina na imensidade. Desejara poder falar aos meus filhos, para ensinar-lhes aquilo mesmo que sempre desdenharam acreditar”.
Perguntaram ainda sobre o efeito que causava ver o seu próprio corpo ao seu lado.
Disse ele: “Meu corpo! Pobre, mísero despojo…volve ao pó, enquanto eu guardo a lembrança de todos os que me estimaram.
“Vejo essa pobre carne decomposta, morada que foi do meu Espírito, provação de tantos anos! Obrigado, mísero corpo, pois purificaste o meu Espírito! O meu sofrimento, dez vezes bendito, deu-me um lugar meritório, por isso que tão depressa posso comunicar-me convosco…
Disse ainda: “O instante da morte dá clarividência ao Espírito; os olhos não veem, porém o Espírito, que possui uma vista bem mais profunda, descobre, instantaneamente um mundo desconhecido, e a verdade, brilhando de súbito, lhe dá, momentaneamente, imensa alegria ou funda mágoa conforme o estado de consciência à medida que vai lembrando da vida passada”.
(Elzi Nascimento – psicóloga clínica e escritora / Elzita Melo Quinta – pedagoga – especialista em Educação e escritora. São responsáveis pelo Blog Espírita: luzesdoconsolador.com. Elas escrevem no DM às sextas-feiras e aos domingos. E-mail: iopta@iopta.com.br (062) 3251 8867)