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Mensagens apontam participação de Vorcaro em rede internacional de prostituição com refugiadas

Léo Carvalho

Publicado em 13 de outubro de 2026 às 11:18 | Atualizado há 40 minutos

Mensagens obtidas pelo UOL apontam que Daniel Vorcaro participava de decisões sobre recrutamento de mulheres estrangeiras | Foto: Reprodução
Mensagens obtidas pelo UOL apontam que Daniel Vorcaro participava de decisões sobre recrutamento de mulheres estrangeiras | Foto: Reprodução

O ex-banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, é apontado em mensagens obtidas pelo portal UOL como participante de uma rede internacional de prostituição que operava desde 2023. Segundo informações jornalísticas do períodico publicada nesta terça-feira (13), o esquema envolvia intermediários, recrutamento de mulheres estrangeiras e uma agência de eventos utilizada para organizar contratações.

Os investimentos identificados na estrutura somariam pelo menos R$ 4,3 milhões. As conversas analisadas pela reportagem indicam que Vorcaro não se limitava a frequentar festas privadas. Ele também participava de decisões sobre a seleção das mulheres, os pagamentos e a permanência delas no grupo.

Entre as estrangeiras mencionadas nas mensagens estão mulheres da Ucrânia, Rússia, Venezuela, Argentina e Polônia. Parte delas era formada por refugiadas, incluindo uma jovem ucraniana de 19 anos que teria chegado ao grupo em meio à fuga da guerra em seu país.

A Polícia Federal investiga possíveis irregularidades relacionadas à contratação de mulheres estrangeiras e à atuação da rede. A apuração também envolve a análise de possíveis crimes ligados à exploração sexual e ao tráfico internacional de pessoas.

De acordo com as mensagens divulgadas pelo UOL, a estrutura contava com a atuação de intermediários responsáveis pelo recrutamento, pela organização de festas e pela logística das mulheres. Entre os nomes citados estão o empresário Leonardo Serrano e o promotor de eventos Diogo Batista.

As conversas indicam que Vorcaro discutiu a aquisição de participação na Allure Eventos, empresa utilizada no recrutamento de mulheres. Em dezembro de 2023, ele recebeu um contrato que previa a compra de 50% da agência por R$ 1,5 milhão.

Segundo a reportagem, as mensagens posteriores registram a assinatura do documento e cobranças de parcelas relacionadas ao negócio. Um comprovante encontrado no celular do ex-banqueiro mostra uma transferência de R$ 500 mil para o proprietário da empresa.

Felipe Nisti Cataldo, dono da Allure, afirmou ao UOL que Vorcaro demonstrou interesse na negociação, mas negou que o acordo de participação tenha sido concretizado nos termos descritos nas conversas. Sobre a transferência identificada, disse que precisaria verificar a origem do pagamento.

Os diálogos também indicam que a agência seria utilizada para organizar a contratação de mulheres destinadas a festas particulares. Em uma das conversas, um intermediário apresentou a estrutura como uma forma de administrar essas contratações sem vincular diretamente a operação aos envolvidos.

Um dos episódios descritos na reportagem envolve uma jovem ucraniana que chegou ao grupo em outubro de 2023, período em que participava de eventos organizados pelos intermediários.

No mês seguinte, as mensagens passaram a tratar da permanência da jovem no Brasil. Segundo os diálogos, ela não tinha condições de retornar à Ucrânia, onde sua família enfrentava os efeitos da guerra.

Em dezembro daquele ano, Diogo Batista informou a Vorcaro que a jovem não tinha para onde ir e relatou que sua cidade estava sendo bombardeada. Nas conversas, os dois discutiram a possibilidade de mantê-la no país e incorporá-la à agência.

A situação da refugiada voltou a ser mencionada nos meses seguintes, inclusive em discussões sobre a seleção das mulheres que continuariam no grupo. As mensagens apontam que Vorcaro participava dessas decisões.

A reportagem também relata que mulheres estrangeiras eram levadas a eventos privados e que intermediários organizavam passagens, hospedagens e deslocamentos entre diferentes cidades.

A presença de refugiadas em situação de vulnerabilidade é um dos pontos que tornam o caso relevante para a investigação policial. Entretanto, a eventual configuração de tráfico internacional de pessoas depende da apuração dos elementos exigidos pela legislação, incluindo as circunstâncias concretas de recrutamento e exploração.

A estrutura também envolvia eventos realizados no Brasil e no exterior. Conforme os registros descritos pelo UOL, a organização das festas incluía a contratação de mulheres, a reserva de hotéis, a compra de passagens e a liberação de recursos para despesas.

Leonardo Serrano, responsável por parte da logística internacional, atuava por meio da empresa SL Consulting. A reportagem identificou 21 faturas emitidas entre abril de 2024 e março de 2025, que totalizariam aproximadamente US$ 70 milhões.

Segundo o levantamento jornalístico, os documentos apresentavam despesas descritas como serviços relacionados a eventos, hospedagem, hospitalidade e fretamentos. As cobranças eram direcionadas à Moriah Asset, gestora de recursos de Belo Horizonte, e posteriormente encaminhadas ao setor financeiro do Banco Master.

Outros gastos relacionados às mulheres no Brasil eram atribuídos à Prime You. As mensagens também registram pagamentos e pedidos de autorização financeira feitos pelos intermediários.

Os valores mencionados nas faturas internacionais não correspondem necessariamente a despesas exclusivas com prostituição. A extensão dos gastos, sua finalidade e a eventual relação com atividades ilícitas dependem da análise dos documentos e da investigação das autoridades.

Outro aspecto destacado pela reportagem é a linguagem utilizada por Vorcaro e seus interlocutores nas conversas privadas. Em diferentes mensagens, eles empregavam expressões depreciativas para se referir às mulheres e discutiam a avaliação de seu desempenho, as condições de contratação e a permanência nos grupos.

Os diálogos também indicam a divisão das mulheres em categorias destinadas a diferentes tipos de eventos, incluindo encontros privados com o banqueiro e seus convidados.

Em fevereiro de 2024, Vorcaro e Diogo Batista discutiram a organização de uma festa para uma jovem que completaria 19 anos. As mensagens registram referências à preparação do evento, a presentes e a um encontro planejado para a data.

O material divulgado pelo UOL mostra ainda que os envolvidos discutiam a seleção de novas mulheres e o desligamento daquelas que não deveriam continuar no grupo.

As conversas constituem elementos que podem auxiliar a investigação, mas precisam ser examinadas em conjunto com os demais documentos, registros financeiros e depoimentos para esclarecer as responsabilidades individuais.

A prostituição voluntária de pessoas adultas não constitui, por si só, crime no Brasil. A legislação, entretanto, prevê punições para condutas relacionadas à exploração da prostituição alheia, conforme as circunstâncias de cada caso.

O tráfico internacional de pessoas também depende da presença dos elementos previstos em lei, não sendo possível concluir pela existência desse crime apenas com base na nacionalidade das mulheres ou em sua condição de refugiadas.

A Polícia Federal apura possíveis ilegalidades relacionadas à rede descrita nas mensagens. A investigação deverá esclarecer como funcionava o recrutamento, quem financiava as operações, qual era a finalidade dos pagamentos e se houve exploração ou outras condutas criminosas.

Segundo o UOL, Leonardo Serrano e Diogo Batista não responderam aos contatos da reportagem. Felipe Nisti apresentou esclarecimentos sobre a negociação envolvendo a Allure Eventos. A publicação não registra uma manifestação de Vorcaro sobre as acusações descritas no material.


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