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Meryl Streep: a rainha de Hollywood

Redação DM

Publicado em 4 de janeiro de 2017 às 01:08 | Atualizado há 2 anos

Mary Louise Streep já foi uma mãe que lutou pela guarda do filho com Dustin Hoffman em Kramer vs. Kramer, que lhe rendeu o Oscar de Atriz Coadjuvante e o primeiro da carreira. Já teve que escolher qual dos dois filhos enviar para a morte durante a Segunda Guerra Mundial em A Escolha de Sofia, que também lhe rendeu o segundo prêmio da Academia de Hollywood, agora de atriz protagonista. Viveu nas telonas personalidades célebres como Julia Child, Margareth Thatcher, Florence Foster Jenkins e além, claro, de personagens fictícios marcantes como a chefe de uma revista de moda em O Diabo Veste Prada, a bruxa no musical Caminhos da Floresta, uma cantora de rock no drama Ricki and the Flash e outros tantos papéis onde a representatividade de Streep é singular e marcada por um trabalho de voz, gestos, olhar e densidade que faz da atriz um camaleão em cena e apta para qualquer novo desafio.

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Os filmes citados acima são apenas alguns dos trabalhos memoráveis de Streep, que será homenageada pela carreira na 74º edição do Globo de Ouro que acontece neste próximo domingo, dia 8, às 22h, pelo canal TNT. Como se não bastasse, ela também foi mais uma vez indicada ao prêmio na categoria de Melhor Atriz em Comédia ou Musical por sua atuação em Florence: Quem É Esta Mulher? É a 30º indicação ao Globo de Ouro, dos quais já levou oito. Foi também 19 vezes indicada ao Oscar, ganhou três – a última em 2012 por A Dama de Ferro – e tem grandes chances este ano.

A carreira começou no teatro, migrou para a televisão com a estreia no telefilme Temporada Mortal (1977) e no mesmo ano se lançou no cinema como coadjuvante no drama Julia. No ano seguinte participou de O Franco Atirador ao lado de Robert De Niro e em 1979 conseguiu vaga no filme que lhe renderia o primeiro Oscar da carreira e vários outros prêmios. Em Kramer vs. Kramer Streep interpreta uma mãe em depressão que abandona o filho com o pai, interpretado por Dustin Hoffman, e meses depois volta para lutar pela guarda da criança. O estúdio estava receoso em escalar Streep, uma então desconhecida na época, mas Hoffman se encantou por ela no teatro e bateu o pé dizendo que a queria no filme ou nada feito.

Foi considerada durante os anos 70 e 80 a rainha do drama, marcada por atuações de extasiante entrega emocional em filmes carregados de sofrimento. Só no final dos anos oitenta e durante os anos 90 que Streep soube relaxar e participou de comédias como Ela é o Diabo (1989) e A Morte Lhe Cai Bem (1992), mas isto sem deixar de lado os papéis dramáticos de destaque e quase sempre indicados ao Oscar, Globo de Ouro e outros prêmios.

Mas apesar de considerada um ícone do cinema no começo dos anos 2000, Meryl Streep não havia conquistado uma fama de estouro mundial com sucessos que lhe colocassem no patamar de estrela. Já era uma das melhores atrizes vivas, sem dúvida, mas não era uma estrela popular de aclame comercial. Ao menos por enquanto.

Enquanto muitas atrizes reclamam que após os cinquenta anos o número de papéis de peso e destaque é cada vez mais difícil de conseguir, Streep nada contra a maré. O sucesso comercial veio com 57 anos quando interpretou Miranda Priestly, chefe de uma revista de moda que infernizava a vida de Anne Hathaway em O Diabo Veste Prada. O longa foi um divisor de águas na carreira de Streep, e colocou a atriz no patamar das estrelas rentáveis de Hollywood e na memória das pessoas do mundo todo. Desde então, é sinônimo de boas bilheterias e filmes com alto apelo para prêmios. Com 62 anos, por exemplo, foi protagonista da versão para o cinema do musical da Broadway Mamma Mia!, que arrecadou surpreendentes US$ 610 milhões mundialmente, foi uma das 10 maiores bilheterias de 2008 e mostrava uma Streep cheia de vitalidade ao pular na cama, cantar e dançar as letras do grupo ABBA que compõem a trilha sonora.

Graduada em teatro dramático na instituição Vassar College e com mestrado na Universidade de Yale, Meryl Streep é também uma forte defensora dos direitos das mulheres e da igualdade salarial entre os dois sexos em qualquer profissão. Atualmente com 67 anos, é vista como um exemplo de talento, humildade e quebra de paradigmas para atrizes mais velhas. Um ícone não apenas de uma geração, mas do cinema como um todo.

Os próximos trabalhos serão como coadjuvante na continuação do filme Mary Poppins – agora com Emily Blunt no papel da babá encantada – e como protagonista em série de TV produzida por ninguém menos que J. J Abrams.

Meryl, como já dizia Tina Turner em uma de suas canções mais famosas: É Simplesmente a Melhor!

 

(Matthew Vilela, jornalista e comentarista de cinema pelo blog do Matthew Vilela)

 

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