Brasil

Minha resposta definitiva ao locutor boateiro

Redação DM

Publicado em 23 de novembro de 2016 às 00:44 | Atualizado há 10 anos

Noticiei neste DM que Jorge Kajuru espalhou um boato afirmando que seu mandato foi cassado (sic) a mando de Marconi Perillo. Verifiquei no TRE. Apurei que não havia impugnação da campanha dele, por consequência não existindo qualquer decisão relativa ao dito candidato. Apurei ainda que as contas dos eleitos estão sob exame. Kajuru, portanto, mentiu. Não só mentiu como ainda difamou como de costume.

Apanhado com a mão na lata de biscoito, o locutor boateiro caiu no chilique. Investiu com fúria sobre mim. Publicou neste jornal um monte de impropérios. Nem me toco. Insultos vindos da ralé não me abalam. O faniquito de Kajuru não muda o fato substancial: ele, volto a repetir, mentiu, seu mandato (sic) não foi nem está cassado.

Não podendo negar as evidências, ele se sai com uma confusa justificação. Uma tentativa grotesca de excluir a ilicitude do fato e a imoralidade de sua conduta.

Depois ele parte para uma fútil tentativa de desqualificar-me como profissional de imprensa. Compara-me, desfavoravelmente, a ilustres jornalistas que passaram pelo DM. Respeito todo mundo, mas não me troco por ninguém. Fiz do jornalismo a minha trincheira de luta por uma causa, não uma escada para ascender ao estrelato. Fique a escada para as vedetes, os cabotinos, os narcisistas.

De resto, ele cometeu a indelicadeza de criticar Batista Custódio por ter permitido a publicação do meu artigo. Batista não é censor, nunca se prestou a este papel. Fosse o contrário, o panfleto hidrofóbico dele não teria saído.

O último ataque dele, aí foi de matar de rir! Acusa-me ele – que horror! – de nunca ter lido Nietzsche e Sócrates. Não sei o que os alhos têm a ver com os bugalhos. Não é desdouro para ninguém não ter lido Nietzsche. Não é leitura obrigatória. Ocorre que li toda a obra do bigodudo alemão. Li pelo simples prazer de ler. Ostentar conhecimento é vulgar. Quero convencer pela força imanente dos meus argumentos, não pelo louvor à autoridade deste ou daquele sabichão.

Confesso, por derradeiro, que nunca li Sócrates. Nem Kajuru. Se ele disser que leu, direi que mente. Sócrates jamais escreveu uma linha. Ele achava que a letra mata o espírito. Foi Platão, o maior de seus discípulos, que reduziu a escrito as doutrinas de seu mestre. Nem tudo que está em Platão é genuinamente Sócrates. Estudiosos ainda hoje debatem, em nível acadêmico, o que, nos livros de Platão, é coisa de Sócrates e o que é exclusivamente de Platão. Disto sabe qualquer um que tenha cultura de almanaque, sendo aí que Kajuru se estrepa.

Não vou revidar os insultos grosseiros de Kajuru. Ele apelou à ignorância. Apelou, perdeu! Tenho um vasto repertório de desaforos que poderia jogar em cima dele. Mas não luto neste nível boçal. Não vou me igualar. Não me misturo a esta ralé suburbana que, à falta de argumento, xinga.

Quanto ao assim chamado “mérito da questão”, já disse tudo. Mantenho cada linha. Não vou me repetir. Sobre, especificamente, este assunto banal que é a falsa cassação do mandato do vereador eleito, encerro aqui o debate. Agora, se ele quiser disputar – civilizadamente – sobre Nietzsche e Sócrates, estou à disposição. Pode vir para o largo.

 

Helvécio Cardoso, jornalista

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