Morre aos 85 anos o artista Juarez Machado, referência brasileira nas artes
Léo Carvalho
Publicado em 7 de outubro de 2026 às 15:25 | Atualizado há 53 minutos
Juarez Machado construiu carreira de mais de seis décadas e transitou pela pintura, desenho, escultura, televisão, literatura e fotografia | Foto: Villa Francioni/Divulgação
O artista plástico Juarez Machado morreu nesta terça-feira (6), aos 85 anos, em Vassouras, no interior do Rio de Janeiro. Ele estava internado desde 29 de setembro para tratar uma pneumonia e sofreu uma parada cardíaca. A informação foi confirmada pelo Instituto Internacional Juarez Machado (IIJM), criado pelo artista em Joinville, sua cidade natal. Machado deixa três filhos.
A Prefeitura de Joinville decretou luto oficial de três dias pela morte do artista. O instituto que leva seu nome permanecerá fechado entre esta quarta-feira (7) e sexta-feira (9).
Nascido em 16 de março de 1941, em Joinville, Juarez Machado construiu uma trajetória que ultrapassou seis décadas e transitou por diferentes linguagens. Pintura, escultura, desenho, caricatura, fotografia e cenografia fizeram parte de sua produção. Ele também atuou como escritor e ator.

A formação artística começou ainda no Sul do país. Machado estudou na Faculdade de Belas Artes de Curitiba e, no início da carreira, trabalhou como cenógrafo na TV Paraná. Em 1962, recebeu o prêmio de melhor escultor do Estado. Dois anos depois, realizou sua primeira exposição individual, na Galeria Cocaco, em Curitiba.
Foi no Rio de Janeiro que sua carreira ganhou novas dimensões. O artista passou a colaborar com importantes veículos de imprensa, entre eles as revistas O Cruzeiro e O Pasquim e o Jornal do Brasil. Nesse período, aproximou-se de alguns dos principais nomes do humor e da imprensa brasileira, como Ziraldo, Jaguar e Millôr Fernandes.
A televisão também teve papel importante em sua trajetória. Em 1973, Juarez Machado passou a integrar a equipe de criação do Fantástico, da TV Globo. No ano seguinte, ganhou espaço no programa com uma apresentação baseada em mímica e interação com os próprios desenhos. Com o rosto pintado de branco, o artista criava uma espécie de diálogo silencioso entre seu corpo e as imagens.
Machado também se destacou na literatura visual. Em 1975, lançou “Ida e Volta”, obra construída exclusivamente com ilustrações e considerada pioneira no desenvolvimento do livro-imagem no Brasil. A publicação consolidou uma característica que acompanharia sua produção: a capacidade de contar histórias sem depender do texto.

Carreira internacional
Em 1986, Juarez Machado se mudou para Paris e instalou um ateliê em Montmartre, tradicional bairro associado à produção artística francesa. A mudança ampliou sua presença no circuito internacional e marcou uma nova fase de sua carreira.
Seu trabalho também chegou ao cinema. O cineasta francês Jean-Pierre Jeunet conheceu suas pinturas durante uma exposição em Paris e utilizou referências cromáticas do artista na concepção de “O Fabuloso Destino de Amélie Poulain”, lançado em 2001. Duas obras de Machado aparecem na decoração do quarto da personagem principal.
Mesmo com a projeção internacional, Joinville permaneceu como um dos principais pontos de ligação do artista com o Brasil. Entre suas obras na cidade está o mural cerâmico “O Grande Circo”, instalado na entrada do Centreventos Cau Hansen. A composição ocupa 90 metros quadrados e reúne 963 peças pintadas à mão. A obra foi inaugurada em 1998.
Anos depois, Machado criou um espaço dedicado à preservação e à divulgação da produção artística. Em 2014, instalou o Instituto Internacional Juarez Machado no terreno onde ficava a antiga casa de seus pais. O local passou a reunir obras e atividades voltadas à difusão da arte na região.
Com uma obra marcada pela mistura entre humor, desenho, movimento e narrativa visual, Juarez Machado construiu uma trajetória que atravessou fronteiras e diferentes campos da cultura brasileira. Sua produção deixou registros não apenas em museus e galerias, mas também na televisão, na imprensa, na literatura e no cinema.
