Na inspiração da madrugada
Redação DM
Publicado em 25 de agosto de 2016 às 02:24 | Atualizado há 10 anosSão 5h12 minutos em Rio Verde. É sexta-feira, 12 de agosto de 2016. Desde a tarde de ontem que a temperatura caiu um pouco e quase imperceptíveis gotículas desceram, por volta do crepúsculo, na cidade do César Bastos. Ontem, minha mãe, falecida dia 4 de abril de 2008, faria 93 anos, pois nascera no ano do óbito do Rui Barbosa, 1923. No dia em que o Águia de Haia se calou – 1º de março – Jango completou 5 anos de idade. Dois grandes homens foram eles. Ontem, a Ponte Preta fez 116 janeiros. Não é o clube pelo qual torço, o clube pelo qual torço, desde 1956, é o Fluminense. A Ponte me é simpática, o Tricolor é uma das minhas paixões. Hoje é o 64º aniversário da morte de um grande benfeitor da romântica e bonita Jataí, onde nasci dia 31 de julho de 1944. Refiro-me ao missionário Samuel Graham.
O Parkinson costuma me despertar na madrugada para saciar o seu sadismo. Quero dormir, ele me impede. Madrugada é inspiradora. Então deixo o leito, alertado para não alertar a amada, e me endereço à “Biblioteca Onze Corações” a fim de escrever. Como se fosse um vício, não me controlo, tenho que fazê-lo. Há muitos livros pra ler e livro para escrever. Há vários de minha autoria, todos sem leitores. São frutos dessa vocação incontrolável, desse anseio de passar de aprendiz a escritor. Adjetivo-me de memorialista. Sim, o sou. Dedico-me, notadamente, à memória da terra do Mauro Borges, onde moro desde 1973, onde nasceram dois dos meus três filhos, meus netos, minhas noras, meu avô paterno. Cheguei moço – 29 anos – com a mala cheia de esperança, e hoje sou um ancião de 72 carnavais. São mais de 40 anos de envolvimento com a sociedade rio-verdense, primordialmente no campo cultural.
Por estes dias começam as campanhas eleitorais nos municípios. Vota-se em outubro, posses em janeiro. Será que o Palácio da Intendência e o sobrado que pertencera ao Major Frederico, ora abandonados, não serão escombros antes da escolha do próximo prefeito de Rio Verde? A nova administração arranjará sede para o hoje inerte Instituto Histórico e Geográfico, para a Academia Rio-Verdense de Letras, Artes e Ofícios e para a Associação dos Artistas Plásticos? Haverá verba e política para o setor? Por que não converter a Fundação pertinente em Secretaria Municipal de Cultura? Esta, em Rio Verde, é o cofrezinho da administração. Quando uma pasta precisa de verbas, o esvazia. Faz tempo que é assim e não pode continuar assim. Oxalá, a 18ª legislatura da nossa Câmara de Vereadores e o 23º prefeito deste eldorado tragam positivas mudanças.
PS: A biblioteca do meu lar chama-se “Onze Corações” porque somos onze: minha esposa, dois filhos, uma filha, duas noras, um genro, duas netas, um neto e eu.
(Filadelfo Borges de Lima, curso superior incompleto (Letras), autor de vários livros, sócio fundador da “Academia Rio-Verdense de Letras, Artes e Ofícios” e do “Instituto Histórico e Geográfico de Rio Verde”, natural de Jataí, casado em Mineiros, auditor fiscal aposentado no Estado de Goiás, sócio da Affefo e do Sindifisco, maçom 33)