Brasil

No caso dos consumidores livres de energia

Redação DM

Publicado em 28 de junho de 2016 às 03:03 | Atualizado há 10 anos

Os grandes consumidores de energia elétrica – shoppings, indústrias, etc. – têm hoje a opção de escolher de qual empresa geradora desejam comprar eletricidade para atender à necessidade de seus empreendimentos.

Nessa condição, são livres para escolher entre um leque muito grande de empresas que existe, por este Brasil afora, vendendo esse insumo para quem deseja comprar. Certamente, optarão por aquela que oferecer a melhor eficiência refletida na relação custo-benefício.

Consumidores acima de 500 quilowatts e abaixo de 3000 quilowatts, bem como os acima desse último valor, têm a liberdade de escolha entre permanecer com a concessionária ou seguirem um novo rumo com novo fornecedor.

Vale ressaltar que aqueles primeiros (500 quilowatts) são chamados de potencialmente livres, pois  podem optar em serem livres desde que comprem eletricidade das fontes incentivadas de energia, quais sejam Pequenas Centrais Hidroelétricas (PCHs), usinas de biomassa, usinas eólicas e sistemas de cogeração. Por sua vez,  aqueles acima de 3000 quilowatts não têm essa restrição. Detalhe: a grande maioria destes consumidores adquire energia elétrica da principal fonte geradora de eletricidade no país – a hidráulica.

Venho observando e lendo muito a respeito de qual tem sido o comportamento dos grandes consumidores no tocante à tomada de decisão entre permanecerem cativos ou não às suas fornecedoras de eletricidade. A maioria deles vem sendo atraída pelo preço mais acessível proporcionado pelo mercado livre (em 2015, a tarifa média dos consumidores cativos foi de 385,75/megawatt-hora; do mercado livre 261,70/megawatt hora).

Vista pela ótica do curto prazo, a diferença é considerável, ainda mais quando se multiplica  pelos milhares de quilowatts-hora consumidos. Entretanto prudência e caldo de galinha não fazem mal a ninguém: muitos consumidores estão embarcando nessa onda e esquecendo-se de que, ao escolherem ser livres, assumem os riscos inerentes à lei de oferta e procura do mercado. Nesse sentido, serem livres exige dos consumidores acuradas estratégias de previsão de consumo fundamentais no momento da compra de energia. Para isso, tornam-se necessárias sofisticadas estruturas técnicas especializadas. Estruturas que inúmeros grandes consumidores não têm. É, portanto, oportuna a seguinte pergunta: hoje, o mercado tem energia em excesso para comercializar, mas e, amanhã, se vier uma escassez? Sabemos que, para voltarem a ser cativos, os consumidores livres precisam obedecer a prazos estabelecidos pelo órgão regulador do setor elétrico. O que é barato hoje pode se tornar caro amanhã. É esperar para ver.

 

(Salatiel Soares Correia, engenheiro, bacharel em Administração de Empresas, mestre em Planejamento Energético. É autor, entre outras obras, de Tarifa e a Demanda de Energia Elétrica)

Tags

Leia também

Siga o Diário da Manhã no Google Notícias e fique sempre por dentro

edição
do dia

Impresso do dia