Novo ano
Redação DM
Publicado em 31 de dezembro de 2016 às 00:07 | Atualizado há 10 anos“Para você ganhar belíssimo ano novo cor do arco-íris, ou da cor da sua paz, Ano novo sem comparação com todo o tempo já vivido(…) Para você ganhar um ano não apenas pintado de novo, remendado às carreiras, mas novo nas sementinhas do vir-a-ser”.
(Carlos Drummond de Andrade)
Todo Ano Novo vem acompanhado de uma série de planos. Virar as páginas do calendário já se tornou sinônimo de planejar. Quer sejam mais ousados ou modestos, o fato é que os planos para o Ano que chegará estão lá: em listas, ou guardados em forma de promessas ou até, no mais profundo segredo. Além de guiar a caminhada no ano recém-chegado, planejar é o primeiro passo a realização.
Se no campo pessoal recebemos o novo ano com muitos planos, na esfera educacional não poderia ser diferente. Trata-se de um período em que a palavra de ordem é planejar! Mas, afinal o que é planejar a educação? Planejar a educação requer considerar as especificidades dos envolvidos, reconhecendo-os como parte de um mundo em constante transformação. Planejar o processo educativo é lidar com a certeza e imprevisível. Certeza do direito de todo o ser humano a uma educação de qualidade e clareza do componente imprevisível no processo educativo.
Sim, planejar a educação é traçar rumos, apontar horizontes, inaugurar possibilidades e jamais cercear caminhos, aprisionar potencialidades e restringir projetos. Planejar é buscar um instrumento de liberdade, conscientização e compromisso para com o mundo. O planejamento deve se fundamentar em princípios educacionais que são capazes de orientar o homem, ser parte de sua constituição e construção de sentido.
Planejar é provocar aberturas, abrir grandes janelas, através das quais vislumbra outros horizontes, em que haja espaço de igualdade para o desenvolvimento de personalidade, intelecto e sabedoria de vida; em que a inteligência não destoe da poesia e a discussão de ideias e concepções seja a protagonista dos processos de ensinar e aprender.
O ato de planejar a educação traduz em aspectos didáticos o ser humano, seu cotidiano, seus valores, seus desafios e seus desejos. O exercício de planejar requer a compreensão da realidade a partir do senso crítico, da vontade política de transformação social materializada nos objetivos se quer alcançar, nas estratégias ou caminhos seguir para se atingir os objetivos, nas atividades necessárias, bem como os prazos e os responsáveis por cada atividade. Enfim, onde queremos chegar?
Planejar não é apenas um momento, mas um conjunto de tempos e espaços contínuos. É um instrumento de orientação e de síntese de concepções que ultrapassa a dimensão técnico instrumental, para instituir-se a partir de princípios políticos e sociais. Planejar é o primeiro passo para a realização de um amplo projeto de educação democrática, de sociedade equânime e de um país mais justo e ambientalmente equilibrado.
Assim, em 2017 vamos planejar e executar ações que busquem efetivamente a concretização dos nossos objetivos enquanto educadores que é o de formar uma sociedade mais humana, ética e amorosa. Buscar ou resgatar os valores de fraternidade, humildade e compaixão deve permear todas as nossas atividades enquanto seres formadores que somos.
Na singeleza das palavras de Carlos Drummond de Andrade esta a “Receita do Ano Novo”: “ Para você ganhar belíssimo ano novo cor do arco-íris, ou da cor da sua paz, Ano novo sem comparação com todo o tempo já vivido(…) Para você ganhar um ano não apenas pintado de novo, remendado às carreiras, mas novo nas sementinhas do vir-a-ser; (…) A partir de janeiro as coisas mudem, e seja tudo claridade, recompensa, justiça entre os homens e as nações”.
Felicidades e sucesso em 2017! A toda Equipe do Diário da Manhã meus agradecimentos e votos de saúde, alegrias e prosperidade.
(Márcia Carvalho, pedagoga, psicopedagoga, mestra em Sociedade, Políticas Públicas e Meio Ambiente, diretora Secretária da Fundação Ulysses Guimarães)