Brasil

Numa sala de aulas

Redação DM

Publicado em 29 de fevereiro de 2016 às 00:19 | Atualizado há 10 anos

Na sala de aulas, a professora encontrou um bilhetinho muito obsceno, que comprometia o seu nome e a sua moral.

Quis saber quem eram as responsáveis por aquelas insinuações absurdas.

Indagou a criançada.

Ninguém se apresentou.

Fez ameaças. Disse que poria todos de castigo, se não aparecesse o responsável pelo bilhete.

De nada valeu.

Chamou o diretor do Colégio.

Homem bom e sábio convocou criança por criança ao seu gabinete e, em particular, dialogou com cada uma delas. Depois de conversar com oito a dez alunos, encontrou a dona do bilhete: era Cristina, de nove anos.

— Por que fez isso, minha filha?

— Não gosto da Professora.

— Por quê?

— Ela só me chama de nomes feios na classe e, por isso, resolvi descontar.

— Está bem — disse o Diretor, preocupado — outra coisa: na sala de aulas, quando a Professora perguntou a todos quem tinha escrito tais coisas, por que você não se apresentou?

— Eu não tinha coragem de me apresentar… Diante das outras crianças.

— E se ela tivesse lhe chamado à parte, teria lhe contado?

— Aí, eu teria.

Ensinando as crianças, aprendemos com elas.

Às vezes supomos estar educando crianças, quando, em verdade, são elas que nos estão a educar.

A discrição faz parte da boa educação.

O respeito à criança é dever de todos.

 

(Iron Junqueira é escritor)

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