Brasil

O agente político é um missionário e não um ladrão

Redação DM

Publicado em 4 de novembro de 2016 às 00:54 | Atualizado há 10 anos

“Não roubar, não deixar roubar e colocar na cadeia quem roubar.” Ulisses Guimarães.

O nosso não é o desejo de elencar aqui normas norteadoras da conduta dos irmãos em humanidade investido temporariamente na condição de detentores do poder temporal. Ousamos, tão somente, trazer a lume, a bem da verdade, preciosas informações da sabedoria dos doutos com relação ao compromisso missionário da classe política.

O venerando ex-deputado Bezerra de Menezes conceituou a política como a sublime “arte de bem servir a todos,” enquanto o venerável e inigualável Santo Agostinho definiu-a como a “mais legítima expressão da caridade.” E na esteira deste entendimento percebe-se que é um verdadeiro missionário da luz quem se propôs a agir com o superior objetivo de balsamizar a dor do próximo e minimizar as desigualdades sociais.

É do agente político que detém poder de mando, a sublime e nobre missão de saber bem conduzir a imensa mole humana que o elegeu para os caminhos de Deus. Alguns pensam assim e agem em perfeita sintonia com a escolha que fez por ocasião da urdidura de seu missionário projeto reencarnatório. Outros, talvez a grande maioria, divorciada de seus sublimes compromissos espirituais agem na vida pública preocupados tão somente em satisfazer seus próprios e ególatras interesses pessoais.

Os caminhos do verdadeiro agente político hão de ser norteados pelos princípios da  humildade, da generosidade, da retidão de conduta e da estrema honestidade. O politico verdadeiro é um missionário porque faz política pelo nobre ideal de servir.  Ele reconhece a total impossibilidade de se separar o homem incrustado na sua individualidade eterna e imperecível, da figura pública que ocupa posição de mando na estrutura do poder temporal.

As virtudes pessoais agregadas à sua personalidade de cidadão são inseparáveis da figura do político inserto na personalidade do homem público que há de ser também honesto e honrado.  Ao esculpir sua trajetória e o próprio destino político o agente público sério e responsável vê-se compelido a manter os princípios básicos norteadores de sua conduta de homem de bem.  Em sua memória traz gravada indelevelmente o desejo de lutar pela manutenção dos princípios de liberdade, fraternidade e igualdade,  incrustados em sua própria indumentária física e espiritual.

É de todos nós o dever impostergável de abraçarmos a bandeira da moralidade pública e enfrentarmos com tenacidade, coragem e determinação os adversários do bem e do progresso.  E para os que almejam jornadear, com segurança, na senda desta trajetória de luz, as sábias orientações aparecem em prosa verso: “Ama com fé e orgulho a terra em que nasceste jamais verás país nenhum como este.”  Recolha-se ao silêncio de sua própria individualidade, aguce sua sensibilidade e passe a ouvir a voz de sua própria consciência.  Diligente e cautelosa, ela por certo haverá de recomendar que devemos tratar com respeito, lisura e urbanidade, a todo e qualquer cidadão seja o companheiro leal ou o adversário contumaz que é invariavelmente nosso instrutor.

Os tempos novos que recomendam serenidade e paz diante de toda e qualquer situação exigem do missionário da vida disciplina, paciência, renúncia, fraternidade e tolerância no exercício do múnus público.  Jamais desprezemos nossos amigos e companheiros leais, para atendermos estranhos interesses de bajuladores de plantão e batedores de palma de última hora. O nosso é o indeclinável dever de agir com prudência e nunca nos esquecermos de que o dinheiro e o poder são as mais difíceis provações impostas as almas viajoras da eternidade que jungidas ao corpo físico estagia temporariamente neste orbe.

O tempo passa celeremente como o relâmpago, o meteoro, a vibração sonora e o raio de luz tornando-se inevitável o encontro com o tribunal da nossa própria consciência.  A honestidade não é virtude mais dever impostergável de todos nós.  Afinal não somos os donos do mundo nem os senhores absolutos da razão.  Exerçamos, pois a sublime arte de bem servir a todos como a mais legitima expressão da caridade.  A do agente político deve ser sempre uma postura moral irreparável e perfeitamente sintonizada com a sublime missão a que ele se propôs a cumprir como representante do povo.  A vaidade excessiva não nos acrescenta nenhuma gota de simpatia. O orgulho e o egoísmo lepras humanas que um dia haverão de ser banidas definitivamente da face da terra, são arrastamentos vencíveis e que nenhum contributo positivo oferece a quem deseja alçar voos mais altos e descortinar novos horizontes, plainando serenamente nas asas do amor e da sabedoria.

Sejamos prudentes e aguardemos com humildade e paciência o sublime e venturoso momento de sermos guindados por nosso esforço pessoal e por merecimento, ao honroso patamar de mensageiro do bem.  Reflitamos e façamos uma pequena viagem em torno de nossa própria individualidade e avancemos intimoratos ao encontro do nosso “eu de dentro.” Ao encontrarmos com nossas sombras nos recônditos de nossa própria interioridade, ancorados no milenar ensinamento do “conheça-te a ti mesmo,” reconheçamos ser nossa a indelegável tarefa de fazer brilhar nossa própria luz interior.

Sejamos vigilantes e cautelosos para não nos iludirmos com as benesses passageiras e fugazes do poder temporal. Saibamos enfrentar a adversidade sem a arrogância e a prepotência que dormitam em nosso interior, ávidas por impulsionar-nos a desviar de nosso  missionário projeto de vida. O nosso é o dever de sermos fiel até o fim, de combatermos o bom combate, terminarmos a carreira e guardarmos a fé inquebrantável em Deus, em nós mesmo e nos destinos da humanidade.

Avancemos intimoratos, audaciosos e destemidos na senda da nossa trajetória  demandando o país da luz. Sigamos juntos balsamizando a dor,  “o bem é o campo fecundo e a caridade no mundo é Jesus plantando amor.” Altaneiros e soberanos avancemos audaciosamente em busca do caminho luminoso da Verdade que liberta e conduz ao porto seguro da esperança, do amor e da paz.

 

(Irani Inácio de Lima, advogado e presidente da Associação Jurídico Espírita de Goiás)


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