Brasil

O candidato xará

Redação DM

Publicado em 7 de setembro de 2016 às 03:10 | Atualizado há 10 anos

Em período eleitoral a maioria dos candidatos sempre repete a mesma proposta para solução de todos os problemas de sua cidade: vou lutar em prol da melhoria da saúde, da segurança, do transporte público, do saneamento básico; vou combater o desemprego, a sonegação fiscal, o desvio de dinheiro público, a corrupção… Eles têm sempre na ponta da língua a solução para todos os problemas!  E ainda vão mais longe: Vocês me conhecem e sabem que sou uma pessoa honesta, bla…. blá… E assim será eternamente! Essa é a isca mais antiga da humanidade. Falar o que os outros querem ouvir, mas sem pretensão alguma de pôr em prática. É votar pra ver.  Muitos candidatos, inclusive, nem cuidam de sua própria saúde, alguns estão até desempregados e enxergam sua eleição como um futuro e bom emprego, outros até têm fichas sujas, devem a muita gente e tem crédito negativo na praça, enquanto os graúdos ou mais abastados gastam milhões em sua campanha, pois sabem que ao ser eleito, terá todo o seu dinheiro que gastaram de volta oriundos de algumas benesses ou negociações políticas pós- eleição. Hoje eu estou igual a um “gato escaldado”, mas não vou trocar meu voto por nenhuma barganha política, ainda mais porque o candidato pode não ser eleito e aí fico com “cara de tacho”. Tem candidato ou candidata que estão aparecendo na televisão que jamais ouvi falar o nome deles e alguns, usam apelidos excêntricos: Clark Crente; Neymar Cover; Fátima do Churrasco; Manoel Feirante; Zé do Espetinho; o Gordo do Magro; Zé da Farmácia; Galega do Churrasco; Antônio Pirotécnico…

Disse numa crônica anterior que nem bem começou a política vários candidatos enchem a nossa página da internet e a maioria realmente eu nunca ouvi falar em seus nomes e o que fizeram de bom pra suas cidades. Certo dia um pessoa solicitou que o aceitasse como amigo, mas ao abrir a sua página logo observei que se tratava de um candidato e o danado dizia que já me conhecia há bastante tempo. Por outro lado, há casos de vereadores que postulam reeleição, mas estavam desaparecidos e nem a mídia os localizava, no entanto, agora vêm as eleições e eles aparecem na maior cara de pau com as mesmas propostas que fizeram no pleito anterior. Como escolher o rosto com menos serragem? Está difícil de esquecer as mazelas, está complicado esquecer o desrespeito que eles têm ao erário público, como esquecer a urucubaca que eles fazem dia a dia. Não está fácil mesmo! Há momentos que a gente procura desligar-se do mundo, no entanto, é preciso saber se desligar. Acho fácil? Mas nem tanto.

Mas, entretanto, temos que dizer que amigo é amigo, política é política, não se deve misturar, todavia, todos devem entender que Impeachment não é golpe se obedecidos os preceitos constitucionais! Tenho vários amigos petistas que merecem meu respeito e consideração, alguns até minha admiração, e convivemos bem porque quase nunca falamos de política, mas quando falamos cada um respeita a opinião do outro, errônea ou não, ou talvez, por termos assuntos mais interessantes a conversar. Mas agora o assunto é inevitável, pois começa o pleito eleitoral. E alguns deles estão mais decepcionados do que eu, menos os xiitas petistas ou petralhas é claro, porque esses não têm cura e continuam votando em candidatos que cometeram crimes e estão indiciados pelo Ministério Público, tanto estadual como Federal.

Também tenho amigos tucanos, comunistas, conservadores, mas não meço a qualidade das pessoas pelo seu time, religião ou suas crenças políticas, em que sonhos, idealismo e equívocos se misturam com ambição, desonestidade e incompetência para provocar monstruosas perdas de vidas, dignidade e dinheiro do coitado do povo que todos eles dizem amar. Eu meço o candidato pela honestidade, capacidade e probidade administrativa. Ultimamente meu nome é mais falado nos meios de comunicação que até me assusto quando alguém desconhecido passa por mim e pergunta: Você é candidato? Nem penso duas vezes e digo: Sou sim! Você vota em mim! O pior é que tem gente que euforicamente diz: O Senhor foi um bom prefeito e que agora que o conheci pessoalmente, voto sim.

Aliás, é tanta propaganda que às vezes nem sei mais quem sou e quando estou diante do eleitor tem certos momentos que questiono a minha loucura. Pergunto o que mais eu tenho de fazer pra esquecer essas desvairadas propagandas políticas; como esquecer que existe um xará, como esquecer as minhas exigências quanto ao caráter dos candidatos. Agora mesmo quando estou escrevendo ouço o meu nome repetidamente na propaganda eleitoral, ou nome do xará candidato. Como é difícil fazer versos rimados com o nome Vanderlan. Valha-me Deus! Dói até nas minhas entranhas… Então, no dia 02 de outubro, pare, analise o currículo do candidato e antes de votar, pense e reflita.

 

(Vanderlan Domingos de Souza, advogado, escritor, missionário e ambientalista. É membro da União Brasileira dos Escritores; Membro da Academia Morrinhense de Letras; Membro da ALCAI – Academia de Letras, Ciência e Artes de Inhumas; membro da CONBLA – Confederação Brasileira de Letras de Artes de São Paulo; Conselheiro da Comissão Goiana de Folclore. Foi agraciado com Título Honorífico de Cidadão Goianiense. Escreve todas as quartas-feiras para o Dário da Manhã. Email: [email protected] Blog: vanderlandomingos. blogspot.com)

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