O leite continua amargo como fel para o produtor?
Redação DM
Publicado em 25 de junho de 2016 às 02:54 | Atualizado há 10 anosSim senhor, o preço que já vinha aviltado, ruim, há décadas, prossegue ainda mais amargo, doloroso, com a seca braba advinda fora do tempo, não se conhecia, até então, abrilada sem chuva alguma, em nosso meio, o Centro-Oeste. A pesar disto leitor, o preço do leite continua aviltado, manietado pela política de terra arrasada do cartel camuflado, responsável pela sua industrialização. Tão extemporânea que afetou, tanto os produtores de leite como lavouristas, produtores de grãos, grãos que afligem, não somente, a pecuária leiteira, como as granjas criadoras de aves e suínos, fonte de alimentos fundamentais aos consumidores de baixa renda e classe média.
Nosso país possui, na atual conjuntura, ignorada pelos politiqueiros no ápice da pirâmide administrativa, uma estrutura montada de irrigação formidável, constituída de profissionais diferentes daqueles, competentes e laboriosos, em condições de reparar, em relativo curto espaço de tempo, o déficit de grãos da chamada safrinha, perdida pela ausência de chuvas. Tivesse a nação um ministério da agricultura, como aquele da década de 70, século 20, atuante, dotado de vontade e disposição numa crise repentina de escassez de alimentos imprescindíveis à mesa dos consumidores, já estaria em campo incentivando, mobilizando, concitando-os, com uma política relâmpago, a plantar para suprir o mercado, reforçando a reserva de contingência que, certamente, o estado deve ter, assegurada por lei, colocando, ducha de água fria, na especulação que começa a tomar conta do mercado, como faz os laticínios. Inesperado acontecimento afetará, ainda mais, o atual atoleiro econômico, atiçando a malsinada inflação, inimiga da governabilidade, redistribuidora, às avessas, de renda, porquanto, de forma natural, tira do bolso das classes operária e média para a classe de alta renda.
Em decorrência da frustração da safrinha, o preço do milho pulou de 25-30 reais para 60, o da soja, de 50-60, para 100 reais, desta forma, como ficará o preço do frango e do suíno na mesa dos consumidores? O leite no supermercado subiu mais de um real, enquanto que, até agora, no resfriador, alimentado, com energia cara, do lado de dentro da porteira, aumentou de 1 a 3 centavos. Ademais, o produtor de leite que plantou milho e sorgo, ao mesmo tempo que a safrinha para encilhar, não colheu nada, ou quase nada. O momento, em face da calamidade decorrente do aumento da poluição, excesso de carbono, na atmosfera, formando o chamado efeito estufa, desviando as correntes atmosféricas, é delicado e desafia a iniciativa dos gestores públicos de plantão. Cadê a política agrícola emergencial? Como diminuir a poluição ambiental? Ah! Por meio da dita política. Que tal então, direcionar parte dos impostos do petróleo para instituições de pesquisas destinadas a acelerar a fabricação de veículos máquinas alimentadas pela energia solar, a mais limpa do planeta, no qual nosso país é, senão o mais rico, pelo menos um dos mais ricos? Abandonando, paulatinamente, o petróleo, objeto do maior processo corruptivo de nossa história, também, mais sujo do mundo, sujeira, de um lado, pela corrupção, e, do outro, envenenando a atmosfera, afetando a camada de ozônio.
De volta ao leite amargoso, o momento é oportuno para um boicote de leite contra a intermediação gananciosa, o cartel camuflado de laticínios que vem espoliando milhões de pequenos pecuaristas leiteiros. Em 1979, quando presidente do Sindicato Rural de Goiânia, deflagramos, com outros Sindicatos Rurais do estado e a Sociedade Goiana de Pecuária – era presidente o dr. Manoel dos Reis –, o primeiro e único boicote de leite do estado – a paralisação chegou a quase zero, em protesto contra a mesma especulação. Além de preço aviltado, descontavam eles, frete de primeiro e segundo percurso, preço diferenciado, havia leite cota A e leite cota B. Já, naquele tempo, divorciada da realidade rural, a Faeg não quis participar, liderar o protesto, na forma de boicote, mas a valorosa SGPA topou. As entidades classistas, clubes, associações, grupos organizados, quando atuantes, participativas, aguerridas no interesse de classe e da nação, passam a ser o sustentáculo da democracia. Na atual crise, bancarrota provocada pelos inimigos viscerais da república, não houve manifestação, protesto, alarido das entidades rurais. Estão, atualmente, como estrelas candentes, na penumbra, sombra, como na alegórica caverna do sábio Platão, fundador da primeira Universidade do mundo, a Academia de Platão, como ficou conhecida perante a história, história narrada por Heródoto da Grande Geração.
Com efeito, leitor, a Nação sendo carcomida pelos corruptos, aves de rapina, quase todos, ocupantes do poder, poder emanado do povo pelo voto legal, a um só tempo, também, ilegal, porquanto subserviente-leniente. Animado pelo instinto, paixão, própria do egoísmo, cavalgando a razão, própria do universal, aquele individual, este, acessível e aceitável por cada um e válido por todos, portanto, como dito, universal. Houvesse, ao longo dos 30 anos do “Muda Brasil”, desfraldado uma política, verdadeira, maiúscula, clássica, universal, Goiás, com sua vocação leiteira, não estaria marcando passo até hoje. A produção de 2014 foi apenas de 3,5 bilhões de litros, 10% da nacional. A indústria de leite e soro, em pó, de Uruaçu, incentivada, com 70 milhões de reais, pelo “Fomentar”, encontra-se fechada há tempo, por falta de matéria prima. Houvesse política de incentivo, preço justo, poderia, com instalação de outras no interior, duplicar a produção. A esta assertiva, viria contra, de chofre, os cegos, isto é, os que não gostam de ver, na verdade, são os piores cegos.
Aonde vender tal leite? Ora! Primeiro, incentivando a sociedade brasileira, cujo consumo de leite ainda está abaixo do padrão recomendado pela ONU, a consumir mais leite e seus derivados, alimento mais completo, substancioso do mundo, motivando-a a consumir menos refrigerantes, sem sombra de dúvida, os responsáveis pelo percentual elevado de obesidade no país: 39% da população. Ademais, das atividades primárias, a atividade leiteira: produção, processamento, consumo, constitui a maior geradora de empregos, serviços e impostos, tanto a curto, como em médio prazo. O próprio soro, subproduto, por sua riqueza em vitaminas, mormente do complexo B, vem sendo industrializado, aumentando a cada dia a oferta e subsequente procura, maior consumo, contudo, o excedente poderá como alimento substancioso, incentivar o aumento da produção de suínos.
O subproduto pode ser consumido, também, na alimentação de aves e bovinos, tal seu valor, qualidade, versatilidade, riqueza protéica. Exportação? Dirão os arautos do menor esforço, comodismo, inimigos da república, muito difícil, no entanto, nosso vizinho, a Venezuela, embora, ainda, governada pelo Maduro verde, enfrenta crise abismal de abastecimento de leite e derivados. Tem ela a maior reserva de petróleo da América, o preço lá, ao consumidor, é a metade do nosso, salvo juízo mais acurado, basta determinação para estabelecer canal, ponte de mão dupla: exportação-importação, troca de leite, por petróleo, preferencial, o diesel e óleo combustível, para abastecer máquinas agrícolas, caminhões, inclusive a ferrovia norte-sul, há mais de cinco anos construída, mas ainda hoje, parada, prova irrefutável do governo inoperante da coligação PT, PMDB e outros partidos aliados.
A sociedade, maior assembleia eleitora nacional, munida da vontade geral, de sua exclusividade, fundada no artigo 14, da magna constituição: A soberania popular será exercida pelo sufrágio universal (voto) e pelo voto direto e secreto, com valor igual para todos, e, nos termos da lei, mediante: I Plebiscito, II Referendo, III Iniciativa popular. Esta leitor, da direito a sociedade eleitora de convocar novas eleições, bem como, determinar a redução do preço do petróleo a nível compatível, com o preço internacional, e não o atual, extorsivo, criminoso, porquanto, conspira contra o crescimento econômico, encarecendo o escoamento de toda produção. Contudo, é de interesse da laboriosa, ordeira sociedade brasileira reduzir pela metade, natural, mediante estudos criteriosos feitos por ela, os preços do óleo diesel e combustível, pois eles são responsáveis pelo transporte: produção e escoamento, processamento de nossas riquezas. O atual preço, extorsivo, bem demonstra a cegueira, falta de senso comum, dos governantes, são inviáveis, num país gigante como o nosso.
De igual modo leitor, os produtores de leite, estão a carecer de preço justo, pois, há décadas, vem sendo manipulados pelo cartel camuflado, intermediação gananciosa, impunemente, burlando, à alínea II do artigo 187, da constituição brasileira.
(Josias Luiz Guimarães, veterinário pela UFMG, pós-graduado em filosofia política pela PUC-GO, produtor rural)