Brasil

O tamanho do Estado

Redação DM

Publicado em 23 de fevereiro de 2016 às 02:29 | Atualizado há 10 anos

Em entrevista concedida ao jornal goiano Diário da Manhã (05/02/2016) o economista Thiago Peixoto (PSD) dá um show de platitudes; se agarra a mesmices, repetecos, generalizações e anacronismos e; ao fim, nada diz.

Seu mantra? A necessidade de redução do tamanho Estado! E se lança a falar do Estado como se estivesse citando um ente privado, um empreendimento individual e de serventia igualmente individual.

Neoliberal convicto e militante, Peixoto fora o mesmo secretario de educação que “revolucionou” a educação goiana, que a tornou a “joia da coroa”, segundo o noticioso da época e que exatamente por a “ter melhorado demais” é que o “choque de gestão” das OS’s se faz atualmente “necessário” e que por conseguinte, está burilando com todo o Estado em um combinado de terror de estado com justificativas rasas e cínicas e uma brava resistência social e estudantil ante aos estupefatos olhares de nossa população.

Peixoto é o “anjo exterminador” da juventude goiana; arrasou com a educação; opção de última hora de Perillo para atravancar mais ainda o meio de campo do malcheiroso PMDB goiano. Ainda está aí fazendo de conta na gestão pública.

Pois bem… Se o Estado é caro? Evidentemente que sim! E isso não é novidade… Basta ver os gordos salários de deputados e que eu e mais um tanto de gente da “ralação” paga para que estes “nobres” senhores nos “representem”; é só ver a qualidade dos debates e discussões destes mesmos “representantes” para identificar o tamanho do ralo que é a Assembléia Legislativa de Goiás.

E a aposentadoria da esposa do governador? Não é um excesso estatal? Não amplia o “tamanho” do Estado? E o batalhão de comissionados nas estruturas estatais produzindo um quase-nada de bens e serviços para a população?

E as isenções fiscais concedias às empresas atraídas para cá e que não cumprem acordos na geração de emprego e investimentos pré-estabelecidos? Aliás, objeto de investigação do Ministério Público de Goiás. Isso não esgarça o tamanho do Estado? E os latifúndios improdutivos? A especulação imobiliária e a degradação ambiental? Não alargam os custos estatais?

Thiago não é bom economista! Como um naufrago que se agarra a uma tábua, se agarrou aos manuais fáceis e sempre questionáveis da formação e desembestou pleno e integral na cantilena das “leis de mercado”.

Precisa ler gente séria feito Celso Furtado, Caio Prado Júnior, Ruy Mauro Marini, Anibal Quijano, Milton Santos ou Maria da Conceição Tavares e que são pessoas que dialogam economia sob um viés inter/multi/transdisciplinar. Afora isso, nos perdemos em segmentações pseudo-científicas e que deterioram o saber científico singular e seu respectivo campo.

Mas o “chicago boy” propõe mais e, segundo determinação dos manuais do neoclássico, vamos desmontar, entregar ao mercado e desfazer o que não convergir para o “desenvolvimento” do Estado.

Agora… Mercado? Que mercado? Um mercado integralmente financiado pela economia do setor público? Que carece de cada moeda pública para sua feitura? E o tal “desenvolvimento”? O que é isso mesmo? Autores sérios o tratarão como uma totalidade que envolve todas as dimensões da vida social, daí não ter o menor sentido se falar em “desenvolvimento econômico”, “desenvolvimento social” ou “desenvolvimentos” particularizados.

Peixoto nada diz a respeito, nada cita sobre a economia “dos de baixo”, a economia das comunidades, dos grupos, das tribos. Não diz porque nada sabe a respeito, não conhece Goiás, sua gente, seus desafios por isso embarca na fácil, canina e obediente preferência aos grandes investimentos, às grandes empresas de enorme impacto social e ambiental.

Não sabe, ainda hoje não sabe, que as ocupações, os empregos estão nos miúdos, nos pequenos mal-arranjados empreendimentos de cunho familiar e que se espalham nas quedas goianas gerando, de uma forma ou de outra, trabalho, renda e ofício para milhares de goianos de boa fé.

A última experiência de ajuste do Estado feito, não casualmente, pelo PSDB nos anos de 1990 nos tornou a segunda/terceira nação do mundo em desempregados; ampliou nossos dramas sociais para níveis africanos e; com exceção da varíola, fez com que todas as doenças já erradicadas no país retornassem.

Se o atual tamanho do Estado é inviável? Claro que sim, concordo plenamente com isso e, estou seguro de que, Peixoto é parte desta crônica oneração que tragicamente somos obrigados a custear.

Ângelo Cavalcante – economista, cientista político, doutorando em Geografia Humana (USP) e professor da Universidade Estadual de Goias (UEG), campus Itumbiara.

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