Pandemia altera rotina dos motoristas de aplicativo
Redação DM
Publicado em 5 de julho de 2021 às 18:17 | Atualizado há 5 anos
A crise provocada pela pandemia da Covid-19 trouxe impactos imprevisíveis em diversos setores da economia e no comportamento de consumidores de todo o mundo. Dessa forma, o período de pandemia afetou também o trabalho dos motoristas de aplicativo e em Anápolis isso não foi diferente.
As restrições causadas pela pandemia do novo coronavírus diminuíram o número de corridas, restringiu o número de pessoas transportadas por viagem e provocou a necessidade de adoção de medidas para conter a propagação do vírus.
Instalação de escudos protetores de acrílico para isolar o banco da frente, adoção do álcool em gel, menor contato com os passageiros, uso obrigatório de máscara e cuidado redobrado com a higiene são algumas das mudanças na rotina desses profissionais.
O novo cenário exige investimento com os protocolos de segurança e de higiene e além disso, existe a alta no preço dos combustíveis nos últimos meses que têm afetado os motoristas de aplicativo. No entanto, conforme levantamento feito pelo Estadão, houve migração de passageiros do transporte público para os aplicativos. “Muitos fizeram a opção até mesmo para evitar possíveis aglomerações”, diz a publicação.
Essa migração afetou positivamente o mercado, mesmo nos piores momentos da doença. “No período do levantamento, em 2020, o serviço registrou crescimento de 54% nas periferias brasileiras”, afirma a pesquisa realizada. De acordo com Thomas Ranese, CMO Global da Uber, em entrevista a PropMark, isso se deu porque o mundo não parou 100%. “Trabalhadores essenciais ainda precisavam chegar em seus destinos”, afirma.
Mesmo com o crescimento das empresas, os motoristas apontam que a falta de disponibilização de materiais de biossegurança, o alto custo dos combustíveis e viagens com tarifas promocionais impactaram o serviço. Alguns motoristas chegaram a promover manifestações para pedir o fim de viagens promocionais alegando que elas prejudicam a categoria.
Em entrevista ao DM Anápolis, Ugo Francisco Schiavon de Mello, de 41 anos, contou sua experiência de como o transporte por aplicativo sentiu os efeitos da pandemia. Ele explica que entre as principais alterações na rotina dos motoristas está a adequação aos horários do decreto. “Tivemos que nos adaptar ao fluxo de passageiros. Com isso precisamos mudar nossos horários de costume”, diz.
Para o motorista, a diminuição no número de pessoas por viagem dificultou as viagens. “Quando eram 4, nos deparávamos com 5 passageiros, e agora com 3 nos deparamos com 4”, comenta.
Segundo ele, alguns motoristas optaram por instalar escudos protetores de acrílico para isolar o banco da frente e garantir maior segurança, mas não foi seu caso e explica o porquê. “Em sua grande maioria eles arcaram com o próprio custo, pois nenhuma empresa de transporte por aplicativo, que atua na cidade, se prontificou a colocar esse isolamento nos carros”.
Ainda de acordo com Ugo, a higienização também ficou sob a responsabilidade dos próprios motoristas. “Por algum tempo a AAMAP (Associação Anapolina dos Motoristas por Aplicativos) realizou essa higienização para todos os motoristas que a procuravam. Era aplicado o mesmo produto que é utilizado para higienizar as UTI’s”. relata.
Depois, ele afirma que os próprios motoristas começaram a se adaptar e implementar medidas para sua segurança durante o trabalho. “No meu caso, eu utilizo um pequeno borrifador que contém Lysoform e assim que o passageiro desce eu faço a aplicação nos assentos, cintos e nas maçanetas”, afirma.
A empresa para qual ele trabalha implantou protocolos de segurança a serem seguidos. “Consistem no uso de máscara, pelo motorista e pelos passageiros, a proibição da utilização do assento dianteiro e a obrigação de utilizar os vidros abertos”, explica.
Devido ao maior risco no transporte público, ele alega que houve aumento nas corridas por aplicativos. “Notamos esse aumento, mas no início da pandemia com o lockdown, tivemos que aumentar o horário trabalhado para que pudéssemos manter o mesmo ganho, ou até chegar próximo”. A garantia de uma viagem segura é de responsabilidade de todos. Por isso, mesmo com relaxamento de algumas medidas, o monitoramento e o respeito às medidas de segurança devem ser praticados durante todas as corridas para evitar o aumento de casos da doença.