Paramos de piorar?
Redação DM
Publicado em 25 de julho de 2016 às 21:58 | Atualizado há 10 anosHá algum tempo, sempre que escrevo sobre o cenário político-econômico brasileiro, inevitavelmente o meu foco era na crise. Crise econômica, política e principalmente moral. A corrupção, a meu ver, era o motor dessas crises, em razão da falta de ética dos agentes públicos na condução de nosso país, mas hoje decidi mudar o foco. Alguns setores da economia, se não melhoraram expressivamente, pelo menos param de piorar. Talvez isso não devesse ser tão comemorado. Porém, diante da queda do consumo, inflação, estagnação ou até da recessão que assolava o mercado interno, creio que esse fato merece destaque. O agronegócio, sempre ele, nos deu boas notícias. A exportação de veículos, talvez pelas baixas vendas no país, aumentaram muito em relação ao mesmo período do ano passado. Podemos falar em recuperação?
Empresas de consultoria, bancos e analistas do mercado financeiro acreditam que a expectativa de crescimento para o ano que vem pode ser maior do que a divulgada pelo governo, ainda interino, que é de 1,2%. A previsão dos analistas, quase que em consenso, seria por volta dos 2% de crescimento para 2017, o que seria muito positivo. Um dos dados dessa melhoria vem das exportações gerais. O saldo comercial até agora, pegando os primeiros dias de julho, já dá US$ 25 bilhões acumulados no ano e deve fechar o ano entre US$ 45 bilhões e US$ 50 bilhões. Isso é um recorde da série, desde o início das medições. Ou seja, um aumento consistente, em todos os dados, da confiança na economia, no mercado e nos consumidores. Isso levanta a expectativa de investimento privado na economia, o que pode sim ser encarado como uma ligeira recuperação.
O desemprego, ainda em dois dígitos, é o indicador mais sensível da crise econômica, pois afeta a vida de milhões de brasileiros. A questão é quase psicológica, vale lembrar que a queda da confiança foi o principal ativo dilapidado pelas ingerências políticas e econômica do governo afastado. Recuperá-la é essencial para a retomada do investimento. Gasta-se muito mais do que se arrecada. A crise econômica veio de erros (pedaladas) ou maquiagens malfeitas nas contas públicas e do rombo no orçamento, isso tudo foi potencializado pela insegurança advinda da instabilidade política, dificultando a recuperação. A inflação ainda preocupa e diminui o consumo das famílias. Mas essa ligeira recuperação ainda tem uma base muito frágil, depende essencialmente de que se estabilizem os gargalos nas contas públicas, redução do deficit e principalmente que não surjam mais escândalos na política agravando a crise. Austeridade é preciso.
(Fernando Henrique Freire Machado, servidor público, pós-graduado em Marketing e Gestão de Pessoas e atualmente é secretário-geral do PHS de Goiânia)