Brasil

Pátria educadora que não educa

Redação DM

Publicado em 29 de janeiro de 2016 às 22:47 | Atualizado há 10 anos

Mais uma vez expresso minha indignação com o sistema educacional brasileiro. Já escrevi muitas vezes sobre o Enem, substituto da maioria dos vestibulares tradicionais no país, mas que ainda continua sendo excludente e não facilitou em nada a entrada dos estudantes na universidade.

O governo brasileiro insiste em passar uma propaganda falsa de que o Enem resolveu o problema de falta de vagas nas universidades e abriu novas possibilidades para os estudantes concluintes do ensino médio.  Essa propaganda falsa é repassada pelos meios de comunicação, televisão e Internet e ilude os estudantes. Recentemente a televisão veiculou uma propaganda exaltando um aluno com deficiência que acordou mais cedo e não se atrasou para as provas, enquanto outro jovem, que negligenciou a hora e chegou atrasado, sendo impedido de fazer as provas.

A propaganda televisiva também exaltou a oportunidade dada a uma mãe para que amamentasse o filho durante as provas (nenhuma novidade até aqui), amamentar o filho é um direito que toda mãe tem, independente do local em que esteja, esse ato em nada garante a aprovação da mãe no Enem ou do deficiente que chegou na hora certa.

Claro que não estou dizendo que estas oportunidades não têm valor no processo seletivo, pois chegar na hora certa para realização das provas pode ser o primeiro passo para a conquista de uma vaga. Dentre outras coisas, garantir a amamentação também é um direito que pode dar à mãe um maior controle emocional durante as provas.

O que estou querendo chamar a atenção é para o fato de que essa propaganda ideológica do governo em nada condiz com a realidade nua e crua de nossas escolas, que ainda não conseguem preparar o aluno para o Enem.

Ainda há uma grande deficiência na escola, principalmente a pública, que em sua estrutura didático-pedagógica não consegue instruir o aluno ou prepará-lo com eficiência para aprovação no Enem. Infelizmente o professor ainda sofre com salários baixos, apesar do piso mínimo garantido pelo governo federal, mas que não consegue fazer com que as prefeituras e os estados paguem o piso ao professor, gerando insatisfação e desmotivação dos docentes.

Outros problemas também são apresentados pelo sistema de ensino, como por exemplo, livros didáticos descontextualizados com a realidade dos alunos, diretrizes curriculares inacabadas ou que são apresentadas de cima para baixo, sem uma discussão com os maiores interessados: os alunos. A escola pública e particular brasileira não se preocupa com a pesquisa científica, o que gera uma deficiência de conhecimentos nos nossos alunos se comparados com alunos de países latinos, nossos vizinhos.

O sistema educacional brasileiro ainda tem um longo caminho pela frente para que possa garantir um mínimo de preparo para nossos alunos. Infelizmente, ainda existe um fosso entre as escolas particulares e as escolas públicas, pobres e ricos e a pátria educadora que deveria educar, acaba não educando como deveria.

 

(Cleiber Fernandes dos Santos, professor universitário)

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