Pequi-rosa é descoberto em Goiás e Emater realiza clonagem para preservar variedade
Redação DM Estagiário 14
Publicado em 8 de novembro de 2026 às 20:25 | Atualizado há 12 minutos
Pequi rosa descoberto em Morro Agudo de Goiás é preservado por meio de clonagem pela Emater-GO | Foto: Divulgação/Emater
Um pequi de coloração rosada, diferente do tradicional fruto amarelo do Cerrado, foi descoberto em Morro Agudo de Goiás. A variedade, considerada inédita pela pesquisadora Elainy Pereira, da Emater-GO, foi identificada em uma árvore que apresentava sinais de deterioração. Para evitar a perda das características genéticas, a instituição já realizou 60 enxertos para reproduzir o pequizeiro.
A descoberta aconteceu por acaso. Um morador da região, acostumado a colher frutos no Cerrado, percebeu que uma formiga roía um pequi cuja parte interna apresentava uma coloração avermelhada. Ao retirar outro fruto da árvore, constatou que ele possuía a mesma característica. Preocupado com a possibilidade de perder a planta, que já apresentava sinais de enfraquecimento, o morador procurou o escritório local da Emater. A informação chegou à pesquisadora Elainy Pereira, que organizou uma visita ao local para coletar material e iniciar o processo de clonagem. “Eu fui rápido, porque já secaram vários galhos da planta”, relatou Elainy.
Segundo a pesquisadora, a reprodução por sementes não garantiria a preservação das características do fruto devido à variabilidade genética. Por isso, a equipe optou pela enxertia, técnica que permite produzir novas plantas com as mesmas características genéticas da árvore original. “Nós fomos lá clonar a planta e clonamos. Hoje nós já temos 60 enxertos”, explicou. Os enxertos ainda estão na fase de pegamento, período em que se verifica se a união entre os tecidos vegetais foi bem-sucedida. Portanto, ainda não é possível afirmar que todas as mudas sobreviverão.
De acordo com Elainy, a coloração incomum é resultado de uma mutação genética. A pesquisadora afirma que, em 25 anos dedicados ao estudo do pequi, nunca havia encontrado registros de outro exemplar com as mesmas características. “É o único, é o primeiro. Eu sou pesquisadora de pequi, não tem outro relato”, afirmou. Após o desenvolvimento inicial, as plantas serão levadas ao campo para avaliação. Os pesquisadores pretendem acompanhar a produtividade, a resistência a pragas e doenças e a estabilidade genética, verificando se os novos pequizeiros continuarão produzindo frutos com a coloração rosada. A expectativa é que as plantas comecem a produzir em aproximadamente três anos e meio.
Elainy compara o trabalho ao realizado anteriormente com o pequi sem espinho, variedade que também foi preservada por meio de clonagem e posteriormente disponibilizada para cultivo. A pesquisadora destaca que a rapidez da intervenção foi fundamental para evitar a perda do exemplar encontrado em Morro Agudo. “Se nós não fôssemos lá correndo, essa planta morreria e pronto, ninguém ia ficar sabendo de pequi vermelho”, afirmou.