Brasil

Perspectivas para o mercado de trabalho

Redação DM

Publicado em 16 de julho de 2016 às 02:59 | Atualizado há 10 anos

Nos últimos meses, presenciamos uma forte elevação da taxa de desemprego na economia brasileira. Ela já se encontra em 11,2% e continuará nessa trajetória ao longo de 2016, permancendo estável em 2017 e 2018, com queda a partir de então.

A elevação do desemprego é consequência direta da crise que a economia brasileira vem passando desde 2014, sendo que esta é, em grande medida, resultado dos inúmeros erros de política econômica a partir do segundo mandado do governo Lula e que foram intensificados no primeiro mandado do governo Dilma.

Entre os erros estão às inúmeras medidas de estímulo à demanda em um cenário de baixo desemprego que tiveram efeitos deletérios nas contas públicas e na inflação. A partir de então, a interferência cada vez maior do governo para controlar os preços da economia de forma artificial e a maquiagem das contas públicas levaram a um cenário de piora das expectativas e de incertezas que ajudam a entender a crise atual, sem contar a falta de reformas importantes que ajudassem no desempenho da economia em prazos mais longos.

A crise que começou a impactar a produção no segundo trimestre de 2014 só mostrou seus efeitos no mercado de trabalho no primeiro trimestre de 2015, ou seja, com quase um ano de defasagem, mesmo em uma das maiores crises enfrentadas na história do país. Essa defasagem ocorreu por dois motivos, principalmente.

O primeiro deles é que em um momento de queda de produção, as empresas buscam manter seus funcionários visto que a economia pode se recuperar em um período curto de tempo. Dispensar empregados tem, ao menos, dois custos importantes: os trabalhistas; e os de treinamento que ocorrem no período de contratação quando o setor em questão começa a apresentar uma retomada. O segundo motivo é decorrente das medidas para estimular a demanda da economia em um ano de eleição presidencial. Como a crise se aprofundou em 2015 e as medidas de estímulo de demanda foram reduzidas, os efeitos na taxa de desemprego passaram a ser evidentes.

No momento atual, a economia pode apresentar uma melhora mais consistente caso o governo Temer consiga mostrar habilidade política e maior união para a aprovação de medidas que sejam relevantes no controle da dívida pública. No entanto, a recuperação vai ser lenta pelos inúmeros desafios que se apresentam atualmente, além do baixo investimento dos últimos anos que dificulta uma retomada mais vigorosa.

Mesmo em um cenário de expressivo aumento do desemprego, como as empresas resistem em dispensar os funcionários mais produtivos, ainda existe capacidade ociosa em termos de trabalho. Portanto, em um primeiro momento, uma retomada ocorre sem efeitos positivos no mercado de trabalho. Com uma recuperação lenta, é provável que o mercado de trabalho ainda apresente retração no próximo ano ou, na melhor das hipóteses, estabilidade.

Caso a economia mantenha a trajetória de retomada nos próximos anos, o desemprego tende a se reduzir a partir de 2018 ou 2019. Dessa forma, os próximos anos ainda serão fracos em termos de emprego, mesmo com uma recuperação da economia, o que mostra os elevados custos das experiências econômicas do passado recente.

 

(Luciano Nakabashi, doutor em Economia, professor da FEA-RP/USP e pesquisador do CEPER/FUNDACE)

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