Brasil

Pesquisa aponta que direita rejeita discurso radical

Redação DM

Publicado em 21 de junho de 2023 às 14:13 | Atualizado há 3 anos

Pesquisa divulgada pelo jornal Valor Econômico, elaborada pelo Instituto Locomotiva e Ideia Instituto de Pesquisa, aponta que a maioria do eleitorado brasileiro mais à direita do espectro político está disposta a abandonar o radicalismo bolsonarista e caminhar ao lado de uma nova liderança da direita que reúna o equilíbrio necessário para tocar as políticas públicas que o país tanto demanda.

De acordo com o estudo, 54% dos eleitores que votaram em Bolsonaro no ano passado disseram que estão dispostos a apoiar uma nova liderança da direita, mesmo que esse nome não tenha o apoio do ex-presidente. De acordo com o levantamento, apenas 18% dos bolsonaristas não enxergam ninguém além de Bolsonaro para liderar a direita.

Chances de Caiado

O estudo corrobora o entendimento do governador de Goiás, Ronaldo Caiado (UB), para quem o brasileiro cansou da política beligerante que tomou o país nos últimos anos. Para o chefe do executivo goiano, aquele que pretenda reivindicar o posto de líder de oposição no cenário nacional terá que agir com inteligência e se afastar dos extremos que alimentaram a polarização política no Brasil.

“A nível nacional, quem pode efetivamente comandar um processo de oposição é quem mostrar que realmente conseguiu construir algo. O brasileiro já está cansado de posições extremadas. Ninguém aguenta mais essa discussão beligerante que tomou a política brasileira, ninguém mais tem estômago para isso. O Brasil quer um processo de acalmia, quer eleição, quer resultado, mas ele não tolera mais esse enfrentamento, esse quadro de um vai pro céu e o outro vai pro inferno. Só vai ter sucesso na oposição no Brasil, quem agir com inteligência, com argumentos, com conteúdo, com capacidade de debater, e o lado raivoso, que mostra total incapacidade de argumentar, esse aí vai ser cada vez mais desprezado pela população”, apostou.

A pesquisa também encontra respaldo na percepção de analistas políticos, que sustentam que com a derrota de Jair Bolsonaro nas eleições do ano passado – único presidente que não conseguiu se reeleger no Brasil desde a implantação do instituto da reeleição, em 1997 -, o movimento liderado pelo ex-presidente deve perder forças no Brasil e ceder lugar à direita racional, ideologia que havia sido, por assim dizer, engolida pelo extremismo bolsonarista.

Diferente da extrema-direita, a direita representa o movimento que descreve uma posição específica que normalmente aceita a hierarquia social como inevitável, mas que, quando moderada, é tolerante às mudanças. A direita racional é, sobretudo, uma ideologia que respeita o estado de direito e a democracia eleitoral, e também promove políticas de assistência social.

Projeto eleitoral

Ronaldo Caiado tem deixado claro que poderá disputar, pela segunda vez, a presidência da República, em 2026, abdicando de qualquer projeto eleitoral em nível estadual, como o senador. Em 1989, o atual governador de Goiás concorreu ao Palácio do Planalto, em cuja eleição foi vitorioso Fernando Collor de Melo.

A partir de janeiro de 2026, Ronaldo Caiado vai percorrer o país para apresentar suas ideias sobre um novo projeto de gestão para o país, com valorização melhoria da qualidade da prestação de serviços à população, principalmente em áreas como saúde, educação, segurança pública, desenvolvimento industrial e geração de empregos e renda.

Vice-presidente nacional do União Brasil, Caiado pretende debater o futuro do Brasil com os representantes da sociedade organizada, partidos políticos e membros do Congresso Nacional. A expectativa do governador goiano é de conquistar simpatia de lideranças políticas, empresariais, trabalhadores, juventude e mulheres do espectro político de centro e de direita.

Como produtor rural e um dos fundadores da bem sucedida União Democrática Ruralista (UDR), na década de 1980, Caiado espera contar com o respaldo do agronegócio, já que tem se posicionado com firmeza na defesa desse segmento, combatendo, por exemplo, a invasão de terras país afora.

Eleitores de direita querem distanciamento de Bolsonaro

Mais de metade dos eleitores de direita se diz aberta a lideranças não alinhadas ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), mostra pesquisa realizada por Zeitgeist Public Affairs, Ideia e Instituto Locomotiva.

Para 54% dos entrevistados eleitores de Bolsonaro, existem outras pessoas que podem ter forças para representar o campo político da direita no Brasil, mesmo sem apoio do ex-presidente.

Enquanto 46% consideram que Bolsonaro é uma figura indispensável para representar o campo político da direita no Brasil.

A pesquisa ouviu 1.531 pessoas, sendo 664 eleitores do presidente Lula, 535 eleitores de Bolsonaro, e 332 casos “nem-nem”, aqueles que não votam nem em Lula, nem em Bolsonaro. A pesquisa tem abrangência nacional e foi realizada por aparelho celular com população a partir de 18 anos.

A margem de erro máxima estimada é de 2,5 pontos percentuais para resultados que consideram respostas de todos os entrevistados.

A existência de dezenas de processos contra o ex-presidente Jair Bolsonaro na Justiça brasileira tem contribuído com a decepção do eleitorado.

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