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PGR avalia rejeitar nova delação de Daniel Vorcaro enquanto PF já indica posição contrária

Léo Carvalho

Publicado em 9 de junho de 2026 às 13:51 | Atualizado há 1 hora

Vorcaro está preso e tenta firmar acordo de delação premiada em meio às investigações sobre supostas fraudes bilionárias ligadas ao Banco Master | Foto: Agência O Globo
Vorcaro está preso e tenta firmar acordo de delação premiada em meio às investigações sobre supostas fraudes bilionárias ligadas ao Banco Master | Foto: Agência O Globo

Além da Polícia Federal (PF), a Procuradoria-Geral da República (PGR) também avalia rejeitar a nova proposta de delação premiada apresentada por Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. Embora ainda não tenha uma decisão definitiva, o órgão examina os termos da segunda versão do acordo entregue pela defesa do investigado.

A expectativa é que uma definição ocorra nos próximos dias. Conforme revelou a jornalista Mônica Bergamo, da Folha de S.Paulo, a Polícia Federal já pretende rejeitar formalmente a proposta apresentada na semana passada.

Mesmo que a PF não participe das negociações, a legislação permite que a PGR conduza um eventual acordo de colaboração de forma independente. Nos bastidores, porém, investigadores consideram ideal que os dois órgãos anunciem conjuntamente uma eventual rejeição.

A defesa de Vorcaro apresentou uma nova versão da colaboração e realizou ajustes posteriores nas informações fornecidas. No entanto, investigadores apontam que o principal obstáculo para o avanço das negociações continua sendo a necessidade de comprovação dos relatos apresentados.

Por estar preso, o ex-banqueiro enfrenta dificuldades para reunir documentos e outros elementos que sustentem suas declarações. Um dos exemplos citados por investigadores envolve a necessidade de acesso a registros internos do Banco Master para confirmar as informações relatadas.

O Banco Central decretou a liquidação da instituição financeira em novembro do ano passado e nomeou um liquidante para administrar o processo. Segundo fontes ligadas às investigações, a obtenção de documentos depende de procedimentos que demandam tempo, fator que contribuiu para que a PGR não descartasse imediatamente a colaboração ainda na primeira proposta.

Além das provas, as autoridades avaliam outros requisitos considerados essenciais em acordos de delação, como a apresentação de fatos inéditos, a abertura de novas linhas investigativas e a devolução rápida de valores supostamente desviados.

As primeiras versões dos anexos da colaboração foram entregues em 6 de maio. Na ocasião, investigadores da PF e da PGR classificaram as informações apresentadas como insuficientes para justificar um acordo.

A Polícia Federal chegou a rejeitar formalmente a proposta inicial, mas posteriormente retomou as negociações. Entre os pontos que chamaram atenção dos investigadores estava a ausência de temas considerados relevantes para as apurações em andamento.

Um dos casos não mencionados inicialmente envolvia suspeitas relacionadas ao senador Ciro Nogueira (PP-PI), que posteriormente passaram a integrar uma fase da Operação Compliance Zero. Outro episódio ausente da delação era o financiamento do filme “Dark Horse”, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro, projeto que teria recebido apoio do Banco Master após solicitações atribuídas ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

Em 22 de maio, o advogado Luis Oliveira Lima, conhecido como Juca, deixou a equipe de defesa de Vorcaro após a rejeição inicial da delação pela PF. O advogado Sérgio Leonardo permaneceu representando o ex-banqueiro e passou a conduzir as tratativas com as autoridades.

Nesse período, o ministro André Mendonça autorizou o retorno de Vorcaro a uma cela especial na Superintendência da Polícia Federal em Brasília, local onde o investigado vinha prestando informações relacionadas à possível colaboração.

As negociações também esbarram na questão financeira. PF e PGR tentam estabelecer mecanismos para que Vorcaro ressarça, em prazo reduzido, os valores que teriam sido desviados por meio de fraudes no Banco Master.

Considerado pelas autoridades como o principal articulador do esquema investigado, o ex-banqueiro enfrenta exigências mais rigorosas nas negociações. Segundo dados divulgados durante as investigações, os custos decorrentes da quebra do Banco Master já ultrapassam R$ 57 bilhões.


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