Brasil

PMs pedem por socorro

Redação DM

Publicado em 15 de outubro de 2015 às 00:17 | Atualizado há 11 anos

“…mesmo com risco da própria vida”. Assim finaliza o juramento que um policial militar faz ao finalizar o curso de formação. Isso mesmo, com a risco da própria vida, assim é o cotidiano de um policial, quando sai de casa, nas madrugadas, deixando suas famílias para trás, sem saber se volta. Tudo isso por você cidadão.

Ser policial, não é somente querer, tem que ter dom, sair de dentro a vontade de servir e proteger. Ser policial não é fácil, é uma jornada ao inesperado todos os dias. Quando se pensa que a tranquilidade reina, repentinamente a paz e quebrada por anúncio de algum crime, daí o único socorro que irá atender será a PM.

Somos a única instituição presente em todas as cidades do Estado de Goiás, o socorro tem número, 190. O número da agonia, da angústia, e nós estamos lá, mesmo com o risco da própria vida.

A PM ao longo dos anos vem desenvolvendo um papel constitucional importante, o da prevenção e ostensividade, se aprimorando sempre para melhor servir. Várias unidades especializadas foram criadas, tudo com intuito de melhor servir o cidadão.

Nossa gloriosa se modernizou, melhorou, criou mecanismos para um melhor aperfeiçoamento do efetivo, tentando equiparar a rápida velocidade da tecnologia.

Atualmente nosso efetivo não é o suficiente para dar um excelente atendimento a nossa comunidade,hoje temos, um efetivo de pouco mais de 11 mil homens, e uma lei que obriga a contratar até 2020 mais de mil homens, totalizando 30.500 combatentes, mas mesmo com o que é disponível, produz até demais, superando até mesmo a lacuna largada pelo Simve. Isso quer dizer que somos bons no que fazemos, tentamos dar sempre o melhor de nós. O Simve foi um projeto que já nasceu morto, pela sua composição constitucional, mas o projeto foi empurrado boca abaixo, não pensando nos voluntários que se dispuseram compor o quadro de pessoal. Afinal todos foram jogados fora como um objeto sem valor, descartado quando a validade expirou.

Mesmo com tantas lutas, hoje os policiais que trabalham no serviço de radio patrulha convencional pedem socorro, um único grito de socorro não pode ser ouvido pela Primeira Voz da PM, assim intitulado Copom – Centro de Operações da Polícia Militar, isso mesmo, não estranhem, o Copom não se comunica com as viaturas, isso já a mais de oito meses. Caso você cidadão necessite da presença da PM, e ligar 190, sua ocorrência vai cair numa tela, e após isso o operador de radio vai ligar para o viatura mais próxima da sua casa. Agora um pequeno detalhe, se a operadora de celular falhar, então a população estará largado a esmo.

O PM de área, o chamado convencional, tem sangue de herói, pois mesmo sem todo aparato que as unidades especializadas têm, consegue desdobrar e cumprir sua missão. Unidades especializadas contam com uma viatura maior, tipo caminhonete, com quatro policiais , armamento longo, e uma excelente comunicação. Porque estão com rádios emprestados, Ao passo que os convencionais, contam somente com dois policias e suas armas curtas, tipo pistola. E o rádio? Somente entre viaturas, e com péssima qualidade, quando consegue ouvir ou falar.

PMs pedem por socorro! E agora, “quem poderá nos ajudar”?

A sociedade que grita e chora por segurança?

Ou deveria ser o Estado, que por obrigação tinha que dar o mínimo de material necessário para que possamos desempenhar essa função tão árdua que é de ser Policial Militar?

Espero que a sociedade de bem deste Estado que tanto pede por segurança e está sofrendo de perto o caos que alastra velozmente, Nos Ajude, não basta só os militares pedirem!! Vocês, a sociedade precisa exigir deste Estado; nós, policiais militares, precisamos ter Segurança para dar segurança a quem precisa…

Você!

 

(Cabo Senna, diretor jurídico da União dos Militares de Goiás –Unimil)

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