Brasil

Por um Natal com mais “tô chegando”

Redação DM

Publicado em 24 de dezembro de 2016 às 02:18 | Atualizado há 10 anos

No mundo da pós-verdade “Os fatos objetivos têm menos influência em moldar a opinião pública do que apelos à emoção e a crenças pessoais”. Esta foi a conclusão da Universidade de Oxford ao elaborar o seu dicionário anual de 2016. Casper Grathwohl, presidente da Oxford Dictionaries, em entrevista ao Washington Post, disse: “Eu não ficaria surpreso se post-truth –‘pós-verdade’– se tornasse uma das palavras definidoras dos nossos tempos”.

A verdade está perdendo importância no debate das redes sociais. Hoje se constroem narrativas falsas e afloram os conflitos por opiniões. Ainda bem que a democracia da internet oferece oportunidade para desmentir os boatos tóxicos. E é positiva porque as pessoas aprendem a viver no contraditório. Já o telefone foi inventado por Graham Bell para resolver o problema da distância entre as pessoas, mas não substitui a presença física. Tempos atrás, quando as pessoas tinham saudade, percorriam muitas léguas. Passavam dias viajando a cavalo. O importante era estar juntos. Isso mudou com o tempo. Hoje os aplicativos tentam aproximar as pessoas sem perder tempo. Entretanto, a magia de redescobrir é insubstituível.

O amor de verdade não abre mão do “ir”. É delicioso receber um “Feliz Natal” por meio do Facebook, WhatsApp ou e-mail. Melhor ainda é dizer isso pessoalmente olhando nos olhos, rosto colado e um abraço aconchegante. Sérgio Cortella diz que ‘Felicidade é sentir a vida vibrando num abraço’.

A polifonia midiática é indigesta. Mas a cultura popular ensina uma regra básica: “Quem quer vai; quem não quer telefona”. Selecionei para você um lindo texto, de autor desconhecido: “Há certas horas que só queremos a mão no ombro, o abraço apertado ou mesmo o estar ali, quietinho, ao lado, sem nada dizer”. Simples como é a vida na roça à beira do fogo e um bom causo contado com a linguagem típica do roceiro.

Ou um humilde arroz quentinho com feijão e ovos frios feitos pela mamãe. É melhor do que comida francesa servida num restaurante fino de Paris.

O simples é uma verdade insofismável.

“Tô chegando” é mais generoso do que “sinto a sua falta”.

 

(Doracino Naves, jornalista;apresentador do programa Raízes Jornalismo Cultural, PUC TV, sábado, 12h30. Reprise, domingo, 20h)

 

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