Brasil

Por um sistema municipal de cultura

Redação DM

Publicado em 25 de janeiro de 2016 às 22:22 | Atualizado há 10 anos

A boa surpresa de ontem foi o bom e fecundo aglomerado de artistas, artistas do povo – diga-se de passagem – no calçadão da Avenida Beira-Rio, nesta Itumbiara de gozos e desesperanças. Eram cantores e cantoras veteranas, jovens cantores, instrumentistas, poetas e escritores reunidos para cantar, tão somente, cantar… Podia ser melhor?

Estavam ali não para ganharem dinheiro ou para contratos mas para a expressão pura, livre e sempre libertária da arte. Estavam pela delicadeza, pela sensibilidade e pela crença militante de que as coisas podem ser diferentes do que tem sido.

Encontro doce e prazeroso para, em tempo, saudar o novo ano que já desponta com uma saraivada de desafios; para celebrar o igualmente poético remanso das águas do Paranaíba e as possibilidades que só a cultura livre e desinteressada pode impingir para uma boa e sofrida gente e que cá temos.

De fato, e em seus mínimos, um bálsamo de lirismos em nossos sentidos e sensibilidades. Cabe agradecer, reconhecer e garantir força para que essas iniciativas se repitam sempre, sempre e sempre.

Aliás, uma boa, coerente e ativa política de cultura e que é bem mais do que pagar “rios de dinheiro” para as maçantes “drupas sertanejas” poderiam ampliar essas iniciativas, torna-las presença nos bairros, nas áreas rurais, nas periferias, nas quebradas. Por que não?

Temos um fundo municipal de cultura? Temos recursos públicos para promover nossa arte, aliás, de excelente qualidade? E como fazemos para estimular o surgimento de novos artistas? A arte, a boa arte, tem um papel no combate às múltiplas formas de violência? Pode incluir?

A definição de um sistema municipal de cultura que articule arte, com inclusão social, geração de renda e promoção política é uma estrategia possível viável e inteligente. Os exemplos estão aí e aos montes. É só ver o que os grafiteiros de São Paulo fazem; artistas do Nordeste; artesãos do Marajó ou; o artesanato deste mesmo Goiás.

Temos também o samba do Rio que, nada, nada… Já inspirou até a criação da Cidade do Samba. O surgimento do Sistema Municipal de Cultura é uma necessidade histórica e que já passou da hora de ser, por aqui, implantado.

 

(Ângelo Cavalcante – economista, cientista político, doutorando em Geografia Humana (USP) e professor da Universidade Estadual de Goiás (UEG), campus Itumbiara)

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