Brasil

Projeções para o algodão

Redação DM

Publicado em 17 de agosto de 2016 às 02:38 | Atualizado há 10 anos

O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) divulgou na semana passada o valor bruto da produção agropecuária nacional (VBP) para o ano de 2016, que foi estimado em R$ 516,4 bilhões de reais. O USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos), principal instituição do Agronegócio norte-americano, também divulgou nesta última semana um novo informativo que cobre a demanda/oferta internacional de Algodão para o próximo ano (2016/2017).

O VBP leva em conta o faturamento dos principais produtos da agropecuária no mês de julho. Apesar da alta de vários produtos, o valor total divulgado teve uma redução de -2,3% em relação ao ano passado. O principal motivo foi a queda no rendimento das lavouras devido a problemas climáticos (fortes chuva, seca delongadas e altas temperaturas).

A safra brasileira de algodão projetada pelo USDA chegou na casa dos 6,65 milhões de fardos, uma pequena elevação frente aos 6,40 milhões de fardos previstos no relatório de Julho/2016. Quanto aos estoques finais, uma ligeira alta foi prevista, batendo nos 6,46 milhões de fardos. Contudo, as previsões de exportação retrocederam dos 4 milhões para 3,60 milhões de fardos. As projeções para a produção norte-americana atingiram os 15,88 milhões de fardos, e quanto às exportações dos EUA, estas ficaram inalteradas em 11,50 milhões de fardos.

A disputa internacional pelo mercado do algodão encontra-se a todo vapor. Tradicionais importadores como China, Paquistão, Irã e Bangladesh estão exigindo alta produtividade e qualidade do produto, escolhendo seu exportador para parcerias comerciais de longo prazo. A China e a Índia possuem fortes estoques do produto, China com 50,70 milhões de fardos, e Índia com 10,66 milhões de fardos. Contudo, os mercados internos destas duas economias tendem a absorver parte de suas produções e demandar volumes de importação plausíveis. O USDA projetou que a China, por exemplo, irá demandar uma importação de 4,50 milhões de fardos nesta safra.

De acordo com dados do MAPA, o Algodão Herbáceo teve uma queda de -7,3% em sua participação no VBP, caindo dos R$13,867 bilhões de reais para R$12,861 bilhões de reais nesta safra 2016. A região Centro-Oeste continua figurando como a principal produtora de Algodão (R$12,761 bilhões de reais) e Mato Grosso (MT) seu principal produtor, chegando na casa dos R$11,984 bilhões de reais. O estado de Goiás (GO) teve uma ligeira redução em sua participação no VBP saindo dos R$446,7 milhões de reais em 2015 para os R$320,7 milhões em 2016.

Os dados finais da safra mundial 2016/2017 projetada pelo USDA, estimaram uma produção global de 101,58 milhões de fardos, avaliação esta um pouco menor que os 102,55 milhões de fardos divulgados em seu relatório anterior (Julho 2016). As projeções dos estoques finais globais também sofreram alteração negativa e atingiram 89,61 milhões de fardos.

Estas projeções só sublinham a atual situação vivida pelo mercado do algodão. Altas nos estoques, boa produtividade e forte competitividade. A União Europeia, Turquia e Leste Europeu irão demandar cada vez mais a importação desse produto, especialmente com o inverno rigoroso que se anuncia. Cabe ao produtor nacional emplacar novos projetos e tentar sua inserção no mercado internacional para conquista de novos importadores e parcerias estratégicas em mercados-alvo.

Thiago Costa Dias, mestre em Relações Internacionais pela Université de Li-ge – Bélgica.

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