Psicopatia, o limite tênue entre a loucura e a maldade e a fragilidade do sistema carcerário brasileiro
Redação DM
Publicado em 5 de julho de 2021 às 16:00 | Atualizado há 5 anos
Por Cláudia Gomes de Moraes
Teve fim nesta segunda-feira 28 de junho a caçada Lázaro Barbosa, que a priori fora considerado um “serial killer”, o qual mobilizou a atenção de todos nós brasileiros por vinte dias. Uma pessoa que hipoteticamente levava uma vida “normal”; mas que; apesar dessa improvável “normalidade” personificou-se em um criminoso capaz de matar uma família inteira, fazer reféns, planejar com maestria fuga de presídios, disparar contra as forças policiais e que se esquivou espantosamente do cerco policial feito para sua captura durante todo esse período. O que demonstra sua total falta de empatia pelo próximo e seu desprendimento do medo da prisão que para especialistas ouvidos por um programa de TV trata-se de um desvio de personalidade comumente diagnosticado como psicopatia.
Segundo o especialista em psiquiatria forense Guido Palomba, entrevistado por um portal de notícias regional , ainda não se pode afirmar que Lázaro é um Serial killer, mas já se sabe que ele é um “condutopata”. Pois, para uma pessoa seja considerada como tal para a ciência forense diz que é necessário que o assassino em série apresente uma tríade fundamental de características em seu comportamento: um “modus operandi padrão”, a “assinatura” e o “ritual”. Em termos não técnicos o modus operandis padrão seria a método utilizado pelo assassino para dar fim as suas vítimas que se igualariam em todos os assassinatos. Já a assinatura seria como uma digital “marca única como nossas próprias digitais” cujo homicida faz questão e sente orgulho em deixá-las devido seu egocentrismo.
E, por fim todo assassino considerado como Serial killer costumam ter todo um ritual ao matar sua vítima ou “presas” como eles mesmo a consideram devido estarem imbuídos em um espirito de caçador e é por isso mesmo possuem toda uma ritualística que vai desde uma escolha metódica (ou mulheres, ou negros, ou gays, ou religiosos, etc…), passa pela captura (momento e locais pré-definidos, sempre a traição) e por fim a forma de tortura e morte que sempre se mantém análogos em todos os casos (tiro, facada, estupro, enforcamento, etc…).
Igualmente, Palomba em entrevista a um site de notícias afirma: “o assassino Lázaro Barbosa não pode ser corrigido, sendo ele um indivíduo com uma patologia grave, que se for solto ou fugir, sempre vai voltar a delinquir (…)”. E, explica: “Ele fica na zona fronteiriça entre a loucura e a normalidade mental, gosto de usar o termo ‘condutopata’(…). Logo, o que mais me chamou atenção nessa entrevista é a frase em que ele afirma “Lázaro Barbosa não pode ser corrigido”. Ora pois, se o nosso atual Sistema Execução Penal busca pela reeducação e ressocialização do ora encarcerado e já que o procurado pela justiça não é louco (segundo vários especialistas ouvidos) para que seja tratado em um manicômio judiciário (não que estejam adequadamente preparados para tratar criminosos considerados loucos pela ciência) e tão pouco sujeito à recuperação (em conformidade com especialista escutados) fica então minha indagação as quais respondo logo a seguir: Nosso Sistema Prisional está preparado para receber esse tipo de criminoso?
Atrevo-me a responder a indagação feita acima, não como uma especialista no assunto, mas como uma futura operadora do direito eu digo: “nosso Sistema Penitenciário não se encontra apto a receber esse tipo de criminosos” valendo-me das palavras de um dos maiores psiquiatras forenses Guido Paloma que diz: “Quando eles estão presos com os detentos comuns se tornam altamente manipuladores. É mais uma característica deles. (…). Complementa: “Se ele é um condutopata, ou seja, está no meio entre a loucura e a normalidade, vai depender. (…) se ele é igualado a um doente mental e vai para manicômio ou se é igualado a um criminoso comum e vai para um presídio comum(…)”.
O que em ambos os casos não soluciona o problema social, ou até mesmo piora como foi no caso de Leonardo Pareja que promoveu uma das maiores rebeliões de presos ocorrida no Centro Penitenciário de Goiás (CEPAIGO), em Aparecida de Goiânia onde o mesmo se intitulava: “Não sou super bandido, mas certamente sou mais inteligente do que a polícia”, complementava com sorriso sarcástico.”
Ainda suplemento: Se Lázaro quando preso no Distrito Federal conseguiu escapar por quinze dias se escondendo da polícia em uma mata e somente se entregou pelo cansaço e voltou a fugir e a cometer crimes e a se esquivar da polícia como o fez por vinte dias aqui em Goiás, precisamos então parar e repensar em nosso sistema prisional urgentemente ou continuaremos a mercê dessas barbáries como estas que culminou na morte de Lázaro que levou consigo para o túmulo questões que somente ele poderia responder.
*Cláudia Gomes de Moraes, discente do 5.º Período do curso de Direito do Centro Universitário Araguaia. Texto orientado pelo professor Ms Hamilcar Costa.