Qual o futuro dos cidadãos sem infância?
Redação DM
Publicado em 7 de junho de 2016 às 02:36 | Atualizado há 10 anos
A infância é o período mais sagrado da vida. Nos primeiros anos, a criança interage com o mundo, faz suas primeiras descobertas, registra no cérebro o que é certo e o que é errado, aprende a ter limites, descobre a censura, enfim, molda a personalidade e o caráter do homem de amanhã.
Para tanto, os pequenos precisam de estrutura familiar, pais zelosos, ensinamentos religiosos, bons amigos, escola com professores interessados na sua formação e, entre outros fatores, uma casa onde morar.
Devem participar dos afazeres domésticos, cuidar dos seus pertences e dar sua contribuição para manter o ambiente onde vivem, limpo e agradável. Dessa forma, facilitarão a vida dos pais e contribuirão para o bem-estar da família.
Parece tudo simples, porém, a realidade é muito diferente. Os jornais da semana divulgaram a trágica notícia de dois meninos armados, com 10 e 11 anos de idade, saltando o muro de um condomínio fechado para furtar um automóvel. Escolheram o carro mais disponível, apossaram-se dele e saíram dirigindo descontroladamente. O fato chamou a atenção de policiais que foram no encalço dos assaltantes. Um dos garotos atirou duas ou três vezes contra os perseguidores, os quais revidaram com uma bala certeira, matando um deles.
É difícil imaginar que meninos dessa faixa etária sejam capazes de se envolver em uma situação de tamanha violência. O País ficou chocado e perplexo. Questiona-se por que os policiais atiraram: legítima defesa, medo de bandidos ou por uma reação instintiva… Talvez não soubessem que se tratava de crianças! No entanto, elas portavam armas e faziam uso delas.
Será que esses meninos escolheram viver dessa maneira? Ou, quem sabe, preferissem ter um lar convencional, onde pudessem viver a infância, de fato, como qualquer criança, com pessoas cuidando deles? O menino morto morava com a avó que, provavelmente, tinha suas dificuldades. Tanto o pai quanto a mãe já tiveram passagem pela polícia. Parece que o garoto também havia sido apreendido por três vezes, somente neste ano. Os familiares e vizinhos não sabiam como ele poderia ter conseguido adquirir tal arma. O colega declarou que fora furtada. A situação era verdadeiramente desesperadora!
Ouve-se falar em tantos milhões e bilhões de reais circulando pelo País e salta aos olhos a precariedade da Educação. O governo deveria proporcionar aos cidadãos creches, escolas em período integral com alimentação adequada, práticas esportivas, palestras educativas, e outros recursos mais, a fim de despertar o interesse das crianças para o lado bom da vida. Os pais se desesperam ao saírem para trabalhar porque sabem que vão deixar os filhos desprotegidos. Quando conseguem uma vaga nas escolas para estudar, passam o resto do dia ociosos e vulneráveis, correndo o risco de se envolverem com más companhias.
Os Centros Esportivos deveriam existir e funcionar a contento, canalizando o interesse dos alunos para atividades que lhe agradassem e melhorassem sua saúde física e mental. As Escolas de Música também poderiam arrebanhar estudantes interessados em estudar canto, tocar um instrumento, participar de corais e orquestras, o que certamente iria aumentar a autoestima deles, além de transportá-los a um mundo diferente pleno de boas energias.
O controle de natalidade também deveria ser feito, pois quem não tem condições de criar e educar um filho não deveria tê-los. Para tanto, um projeto sério poderia ser elaborado com a participação de médicos, assistentes sociais, psicólogos e outros profissionais relacionados a essa área.
Parece utopia, mas não é. O Brasil tem que repensar o futuro dos seus cidadãos. Se educar a população for prioridade, mudanças acontecerão. Não seria uma empreitada fácil em um País de grandes dimensões e população elevada. Todavia, “querer é poder”. Avante Brasil!
Em 2016, vive-se o ano da misericórdia. É extremamente grave ver uma criança dessa idade cometendo terríveis desatinos. Talvez, se esses meninos tivessem nascido em outro contexto, nada disso teria acontecido. Eles precisam ser ajudados. Somente com uma mudança radical de mentalidade, esse milagre poderia acontecer.
Brasil, não abandone seu povo! Faça uma reforma social e educacional bem planejada para que os cidadãos do futuro sejam honrados homens de bem. Você é um gigante capaz de superar suas crises, cuidar do seu povo e dirigir o olhar rumo ao futuro para obter o engrandecimento da Nação!
(Alba Dayrell, professora aposentada da UFG, membro da Academia Feminina de Letras e Artes, Aflag, da Academia Nacional de Música e da União Brasileira dos Escritores, UBE)