Brasil

Quantos anos perderemos?

Redação DM

Publicado em 13 de fevereiro de 2016 às 00:20 | Atualizado há 10 anos

Atualmente, o País se encontra no meio de uma das piores crises de sua história. O ano de 2014 não apresentou nenhum crescimento, sendo este seguido por dois anos de grande retração do PIB: 2015 e 2016. Em 2017, ainda não é certo se experimentaremos mais um ano retração, sendo que as chances de que isso ocorra não são desprezíveis.

No ano passado, o país destruiu um milhão e setecentos mil empregos formais! No ano corrente, voltaremos a apresentar uma taxa de desemprego de dois dígitos, o que será acompanhado por uma queda dos salários reais, como já começou a ocorrer em 2015. O aumento do salário mínimo, em 11,7%, em um País onde quase 35% da força de trabalho formal recebe até 1,5 salários mínimos, associado a um momento de grande desaquecimento do mercado de trabalho, irá acentuar ainda mais o desemprego entre as pessoas menos qualificadas ao longo de 2016.

A elevação do desemprego com a queda dos salários reais terá efeitos importantes na manutenção do processo de queda de consumo das famílias, enquanto o cenário de grandes incertezas políticas e econômicas tende a manter o cenário de retração dos investimentos ao longo de 2016, podendo se estender para 2017 e mesmo para 2018 caso a economia não comece a apresentar sinais de melhora em seus fundamentos.

Além do fraco desempenho do mercado de trabalho, o País enfrenta enorme dificuldade em estabilizar à crescente dívida pública brasileira, a taxa de inflação se encontra na casa dos dois dígitos, em 12 meses, e com resistência à queda, enquanto os investimentos como proporção do PIB vêm sofrendo forte retração, o que compromete o desempenho futuro da economia. Esses resultados são decorrentes, sobretudo, dos inúmeros erros de política econômica cometidos desde o segundo mandato do governo Lula e aprofundados no primeiro mandato do governo Dilma.

Enquanto o país piorava seus indicadores econômicos, o governo tentou segurá-los de forma artificial, com a volta do controle dos preços em alguns setores, com os estímulos à demanda até o final de 2014 para manter o mercado de trabalho aquecido, com as manobras na contabilidade pública para disfarçar a deterioração da mesma, entre outras medidas que pioraram ainda mais o cenário recessivo que estava por vir.

O futuro chegou e temo que todos os resultados negativos que enfrentamos ainda não são suficientes para convencer o próprio governo e sua base que mudanças são, de fato, fundamentais para que o país possa reagir e começar a sair dessa crise. Manter as mesmas medidas de estimulo à demanda através de gastos ou redução dos juros são irão trazer pioras nas contas do governo e elevação da inflação, afetando negativamente às expectativas e perpetuando o desempenho medíocre apresentado pela economia brasileira nos últimos anos. Quantos anos ainda precisaremos perder para que possamos aprender com os erros cometidos?

 

(Luciano Nakabashi, doutor em Economia, professor da FEA-RP/USP, pesquisador do Ceper/FundaceA)

Tags

Leia também

Siga o Diário da Manhã no Google Notícias e fique sempre por dentro

edição
do dia

Impresso do dia