Quase-normal
Redação DM
Publicado em 16 de setembro de 2021 às 12:31 | Atualizado há 5 anos
Dizem que a Primeira Guerra Mundial foi a última guerra romântica. Melhor diria tradicional: travada em terras e mares, com soldados no fundo de trincheiras. E ainda havia cavalos…
Pois a Segunda já subiu para os ares, e terminou com a bomba nuclear dos Estados Unidos sobre o Japão.
Certo é que a Guerra do Vietnã inspirou belas canções românticas, movidas pela “revolução cultural”. Mas aí o romantismo era, exatamente, contra a guerra.
Já a Guerra Fria, também mundial, não foi disputada em terras, mares ou ares, mas nas mentes das pessoas. O seu campo de batalha foi os bastidores de palácios e porões de quartéis, agências de informação e contrainformação, e foi travada nos meios de comunicação. É certo que inspirou conflitos armados mundo afora e matou muita gente, mais ou menos inocente; porém, os seus protagonistas principais (USA e URSS) não pegaram em suas armas, que eram atômicas.
E por isso não houve a Terceira Guerra Mundial, que se temia ser a última das guerras, porque a todos nós mataria. Não se realizou, conforme estamos aqui para provar. E continuar guerreando…
Então, vieram as guerras para acabar com a Guerra: destruir os arsenais-de-guerra (especialmente atômicos) dos inimigos menores; já que os maiores se respeitam/temem.
Assim é que houve a Guerra do Iraque, mais exatamente, a guerra dos USA no Iraque. Mas não foi encontrada a bomba nuclear que se dizia que Saddam Hussein escondia.
Quanta guerra, meu Deus! O animal humano não vive sem guerrear.
Há mais de três mil anos houve a Guerra de Troia, e até hoje falamos no Cavalo-de-Troia, e se utiliza “cavalo-de-troia” para disfarçar ataque a inimigo…
Muito tempo depois, houve a Guerra dos Cem Anos, que, em verdade, durou 116 (1337-1453); e recentemente tivemos a Guerra dos Seis Dias, que durou exatamente 6 dias (5-10/6/1967).
Fala-se em guerra-justa, e mesmo em guerra-santa.
E dizem que a guerra estimula a ciência e causa progresso.
Guerra e civilização andam de mãos dadas. Não é por outro motivo que, à frente das guerras, sempre está o reino, o império, o Estado, a civilização mais “evoluída” da época. Atualmente são os Estados Unidos. Já foram os romanos, os ingleses, os franceses…
Mas hoje, com a bomba atômica, todos os países que têm essa arma têm poder sobre o mundo. E são muitos os que a fabricam, confessadamente ou não. Daí – dizem os analistas – porque ninguém será louco para iniciar uma guerra atômica. Mas diz o ditado que há louco para tudo…
O que se tem por mais possível é uma guerra biológica, que se pode fazer mais silenciosamente: nela, o átomo explosivo é substituído por um vírus sorrateiro.
E então surge o Coronavírus. Criamos suspeitos.
Mas nos tempos em que era impossível uma “guerra biológica” também surgiam vírus pandêmicos; e, semelhantemente à guerra, a pandemia matava muita gente.
Também semelhantemente à guerra, a pandemia nunca teve a sua origem bem determinada. Já foi atribuída a Deus (castigo) e ao diabo (maldade). Hoje, em tempo de economia-globalizada, suspeitamos do concorrente (ambição).
Mas, dada a pandemia, muita gente-boa vê nela uma oportunidades de ganhar dinheiro.
E há os otimistas: acham que a pandemia é uma oportunidade para mudarmos os nossos valores morais; e então sairmos dela melhores do que nela entramos.
No auge desta Covid-19, ouvia-se muito falar que, ao fim, teríamos um novo-normal, melhor que o velho.
Porém, agora que ela começa a ceder-se e nós começamos a voltar ao normal, quase nada de novo se vê pelas ruas, além de máscaras nos rostos. Por enquanto.
É certo que os cientistas criaram vacina contra o vírus, e muitos de nós aprenderam a gravar “live”, a ministrar ou assistir aula virtual, a fazer compra pela Internet, a trabalhar à distância. Mas é pouco, muito pouco, em comparação às perdas e aos estragos deixados pelo Coronavírus.
Guerra e pandemia nunca prestam.