Quem não sofre por causa do medo?
Redação DM
Publicado em 18 de novembro de 2017 às 00:30 | Atualizado há 9 anos
Medo da morte e medo do demônio; medo dos chamados castigos divinos e, portanto, medo de Deus; medo de bruxarias, de macumbas e até de simples maus olhados; medo de fantasma e de toda a tropa das trevas: mula-sem-cabeça, lobisomem, saci-pererê e tantos outros; medo do inferno e do purgatório…
Medo do futuro, de perder o emprego, de sair às ruas, das notícias diárias sobre violências; medo do vestibular, do concurso, da entrevista para um novo emprego, de falar em público; medo da polícia, do câncer e da AIDS… Medo mórbido de tudo.
Uma coisa é ser uma pessoa cuidadosa, atenta, prevenida. Outra coisa muito diferente é viver morrendo de medo. Como muitos vivem.
Entremos no meio da gente simplória e observemos. São seres medrosos, inseguros, cheios de superstições e crendices. Não têm ideia de como é profundo o medo em suas vidas. Nem dos problemas que isso cria.
Mas as pessoas de maior cultura não ficam muito atrás. Elas também mostram, em sua maioria, os mais diversos temores.
“Eu sei que defunto não faz mal a ninguém, mas não venço esse medo!” – exclama muita gente com anel de doutor ou de professor no dedo.
O que entra na infância é difícil de arrancar mais tarde. A causa principal está nas imagens fantasiosas inculcadas no menino, muitas vezes pela própria família e até pela religião. Com a mente pouco desenvolvida, meninos e meninas são vítimas fáceis dos mais diversos temores.
Vale perguntar: Será que Deus aprova mesmo o medo de Deus? Em vez de medo, por que não falarmos de respeito, conhecimento, obediência, carinho e amor?
Hoje em dia, TV e cinema contribuem muito para agravar a situação. Pobres das crianças que, por ignorância, por descuido ou indiferença dos pais, são entregues às sugestões de certos programas e filmes!
Se todos esses temores estivessem de acordo com as Leis Universais, que manifestam a Vontade de Deus, as pessoas muitíssimo temerosas seriam muitíssimo felizes. E não são. Muitas delas já até resvalaram para a chamada “loucura religiosa”, justamente por causa do temor.
O temor cria muitas perturbações para as pessoas. Cria aflição, a amargura, a tristeza, a timidez, o fracasso. Há pessoas que sofrem a vida inteira por causa da indecisão, da covardia, da falta de iniciativa, do pessimismo – filhos todos do medo.
O educador e pensador González Pecotche, criador da ciência logosófica, em vários de seus estudos nos apresenta o temor como sinal negativo da existência humana. Como tal, deve ser arrancado de nossas almas, onde nunca deveria ter entrado. E adiciona: “O homem necessita de muita valentia para viver e muita, também, para morrer. Em realidade, tudo na vida tem de ser feito com valentia, uma valentia serena e firme.”
(Dalmy Gama, escritor, professor e docente de Logosofia)