Respeite a solidão alheia
Redação DM
Publicado em 20 de setembro de 2016 às 02:16 | Atualizado há 10 anosFaltam alguns dias para o Enem, e tudo o que me perguntam é se estou estudando corretamente, se estou me esforçando, se estou fazendo todas as listas e tarefas, pois os meus concorrentes estão estudando intensivamente neste exato momento, e que se eu ficar dando bobeira, parando para pensar na vida, não terei uma boa nota, logo, não conseguirei uma vaga no tão disputado ensino público superior.
Ninguém aqui em casa ou na escola me pergunta como estou me sentindo, se está tudo bem comigo, ninguém quer saber de mim, na verdade, querem me enfiar goela abaixo essa abdicação da vida por conta de uma bendita prova, sei que esse exame é importante e vai definir o meu futuro próximo, inclusive, acho a coisa mais estranha do mundo deixar nas mãos de uma pessoa tão sem certeza da vida igual a mim, essa decisão do que ser quando crescer, confesso que queria ter mais tempo e liberdade para encontrar mais sentido nisso tudo. Penso em ser tantas coisas, que nem todos os vestibulares do mundo atenderiam os meus anseios.
É um saco essa pressão por boas notas, por muitas horas de estudo e decoração de conteúdo, e principalmente, toda essa ansiedade colocada em nós, esse espírito de concorrência, de “a vaga é minha”. Colocam a gente numa corrida contra a gente mesmo, contra nossos semelhantes, nem querem saber o que pensamos disso, ou como nos sentimos, só querem saber das nossas notas, do nosso futuro, que na verdade nem é nosso, é o futuro que querem da gente, mas somos muito jovens e não podemos parar para pensar, porque neste exato momento, enquanto paro e penso nisso tudo, tem alguém estudando intensivamente para a mesma prova que eu.